Como evitar o infarto? Guia completo para proteger o coração
- Dr Ênio Usiglio Panetti | CRM 5256781-1

- há 6 dias
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A pergunta “como evitar o infarto?” é uma das mais importantes quando falamos de saúde cardiovascular. Isso porque o infarto, na maioria das vezes, não acontece por acaso. Ele costuma ser o resultado de um processo silencioso, que se desenvolve ao longo de anos dentro das artérias do coração.
A boa notícia é que grande parte dos fatores que levam ao infarto pode ser identificada, acompanhada e tratada. Evitar o infarto não significa ter uma vida perfeita, nem seguir uma rotina impossível. Significa controlar os principais fatores de risco, fazer escolhas consistentes e tratar corretamente doenças como pressão alta, diabetes e colesterol elevado.
O infarto agudo do miocárdio acontece quando uma artéria coronária, que é uma artéria responsável por levar sangue ao músculo do coração, sofre uma obstrução importante. Na maioria das vezes, essa obstrução ocorre por causa da aterosclerose, que é o acúmulo de placas de gordura, colesterol, células inflamatórias e tecido cicatricial na parede das artérias. Quando uma dessas placas se rompe, pode se formar um coágulo no local, bloqueando a passagem de sangue. Sem sangue e oxigênio, uma parte do músculo cardíaco começa a sofrer e pode morrer. Esse é o infarto.
Portanto, para evitar o infarto, precisamos pensar em duas frentes: evitar a formação e a progressão das placas de aterosclerose e reduzir a chance de uma placa se romper e causar uma trombose dentro da coronária.
O infarto começa muitos anos antes do sintoma
Um erro comum é imaginar que o infarto começa no dia em que a pessoa sente dor no peito. Na verdade, o sintoma pode aparecer naquele dia, mas a doença que levou ao infarto provavelmente começou muitos anos antes.
Durante décadas, fatores como hipertensão, colesterol alto, diabetes, tabagismo, excesso de peso, sedentarismo, alimentação inadequada, apneia do sono, estresse crônico e predisposição genética vão agredindo as artérias. Essa agressão facilita o depósito de colesterol na parede dos vasos e estimula inflamação. Com o passar do tempo, as placas de aterosclerose crescem, estreitam as artérias e podem se tornar instáveis.
É por isso que muitas pessoas dizem: “Mas eu estava bem”. Sim, a pessoa podia estar sem sintomas. Mas isso não significa que as artérias estavam saudáveis. A doença coronariana pode ser silenciosa por muitos anos. A prevenção existe justamente para agir antes do primeiro evento.
As diretrizes europeias de prevenção cardiovascular destacam que a redução do risco de doença aterosclerótica depende de uma abordagem global, considerando pressão arterial, colesterol, diabetes, tabagismo, alimentação, atividade física, peso corporal e risco cardiovascular individual.
Como evitar o infarto na prática?
Evitar o infarto envolve um conjunto de medidas. Algumas dependem de hábitos de vida. Outras exigem diagnóstico, exames, acompanhamento médico e, quando necessário, uso de medicamentos. Não existe uma única atitude milagrosa. O que protege o coração é a soma de vários cuidados.
A American Heart Association resume a saúde cardiovascular em oito pilares conhecidos como Life’s Essential 8: alimentação saudável, atividade física, não fumar, sono adequado, controle do peso, controle do colesterol, controle da glicose e controle da pressão arterial.
Esses oito pontos são uma excelente forma de organizar a prevenção do infarto.
1. Controle a pressão arterial
A hipertensão arterial é um dos fatores de risco mais importantes para infarto, AVC, insuficiência cardíaca, doença renal e morte cardiovascular. O grande problema é que a pressão alta costuma ser silenciosa. A pessoa pode passar anos com pressão elevada sem sentir nada.
A pressão alta danifica a parede das artérias, aumenta o trabalho do coração e acelera o processo de aterosclerose. Com o tempo, isso favorece o entupimento das coronárias e aumenta o risco de infarto.
A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025 recomenda que o diagnóstico de hipertensão seja feito quando a pressão no consultório for maior ou igual a 140/90 mmHg em duas ocasiões diferentes, com técnica adequada de medida.
Mas isso não significa que valores abaixo de 140/90 sejam sempre ideais. A nova diretriz brasileira também valoriza a categoria de pré-hipertensão, que inclui pessoas com pressão sistólica entre 120 e 139 mmHg e/ou pressão diastólica entre 80 e 89 mmHg. Essa faixa já merece atenção, principalmente quando existem outros fatores de risco associados.
Para evitar o infarto, medir a pressão regularmente é fundamental. Uma única medida isolada nem sempre representa a realidade. Muitas vezes é necessário confirmar com medidas em casa, MRPA ou MAPA de 24 horas. O importante é não tratar a pressão arterial como algo secundário. Pressão alta não controlada é um dos caminhos mais frequentes para a doença cardiovascular.
O tratamento pode envolver redução de sal, perda de peso, atividade física, melhora da alimentação, controle do álcool, sono adequado e medicamentos. Quando o remédio é indicado, ele não deve ser visto como fracasso, mas como proteção.
2. Controle o colesterol, especialmente o LDL
Quando se fala em prevenção do infarto, o colesterol LDL ocupa um papel central. O LDL é conhecido popularmente como “colesterol ruim”, mas a explicação mais correta é que ele é uma partícula que transporta colesterol no sangue e, quando está em excesso, facilita o depósito desse colesterol na parede das artérias.
Quanto maior a exposição ao LDL ao longo da vida, maior tende a ser o risco de formação de placas de aterosclerose. Essa ideia é muito importante: não importa apenas o colesterol de hoje, mas a soma de anos ou décadas de colesterol elevado.
A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025 reforça a importância da estratificação de risco e de metas mais intensivas de LDL para pessoas com maior risco cardiovascular, incluindo a categoria de risco extremo.
Em pessoas de baixo risco, a meta pode ser menos rigorosa. Em pessoas de alto, muito alto ou extremo risco, o alvo de LDL precisa ser mais baixo. Em alguns pacientes, especialmente aqueles com doença cardiovascular estabelecida ou eventos recorrentes, a redução intensa do LDL é uma das medidas mais importantes para evitar novos infartos.
O tratamento do colesterol começa com alimentação, atividade física, perda de peso quando necessário e melhora do padrão alimentar. Mas, em muitas pessoas, isso não é suficiente. Nesses casos, medicamentos como estatinas, ezetimiba, inibidores de PCSK9 e ácido bempedoico podem ser utilizados conforme o perfil do paciente.
Um ponto essencial: não se deve esperar sentir sintomas para tratar colesterol alto. Colesterol elevado geralmente não causa dor, tontura ou mal-estar. Ele causa risco. E risco deve ser tratado antes do evento.
3. Não fume
Poucas atitudes reduzem tanto o risco cardiovascular quanto parar de fumar. O cigarro agride diretamente a parede das artérias, aumenta a inflamação, facilita a formação de coágulos, reduz a oxigenação do sangue e acelera a aterosclerose.
Fumar aumenta o risco de infarto mesmo em pessoas jovens. Além disso, o tabagismo potencializa outros fatores de risco. Um fumante hipertenso, diabético ou com colesterol alto não apenas soma riscos: muitas vezes multiplica riscos.
Não existe quantidade segura de cigarro para o coração. Reduzir pode ser um passo, mas o objetivo deve ser parar. Isso inclui cigarro tradicional, cigarro eletrônico e outras formas de exposição à nicotina e fumaça. A American Heart Association inclui evitar tabaco e nicotina como um dos pilares centrais da saúde cardiovascular.
Parar de fumar pode exigir apoio médico, terapia comportamental e medicamentos. Não é apenas uma questão de força de vontade. Dependência de nicotina é uma condição real e tratável.
4. Controle o diabetes e a resistência à insulina
O diabetes é um dos principais fatores de risco para infarto. Ele favorece inflamação, disfunção do endotélio, alteração das lipoproteínas, aumento da aterosclerose e maior risco de obstrução das artérias. Além disso, pessoas com diabetes podem ter sintomas menos típicos durante um infarto, o que torna a prevenção ainda mais importante.
Controlar a glicose não significa apenas olhar a glicemia de jejum. Muitas vezes é necessário avaliar hemoglobina glicada, glicemia pós-prandial, insulina, resistência à insulina, peso, circunferência abdominal, fígado gorduroso e outros marcadores metabólicos.
A American Heart Association também inclui o controle da glicose como um dos oito pilares de saúde cardiovascular, destacando que níveis elevados de açúcar ao longo do tempo danificam coração, rins, olhos e nervos.
Em pacientes com diabetes tipo 2 e alto risco cardiovascular, algumas medicações modernas podem trazer benefícios além da glicose, como redução de eventos cardiovasculares, proteção renal e melhora do prognóstico em insuficiência cardíaca. A escolha deve ser individualizada.
5. Tenha uma alimentação que proteja as artérias
A alimentação é uma das bases da prevenção do infarto. Mas é importante fugir de explicações simplistas. Não se trata apenas de “comer menos gordura” ou “cortar carboidrato”. O padrão alimentar como um todo é mais importante do que um único alimento isolado.
Uma alimentação cardioprotetora costuma ter mais vegetais, legumes, verduras, frutas, feijões, lentilha, grão-de-bico, ervilha, cereais integrais, azeite de oliva, castanhas, sementes, peixes e alimentos minimamente processados. Ao mesmo tempo, deve reduzir ultraprocessados, excesso de açúcar, bebidas açucaradas, embutidos, frituras frequentes, excesso de sal, gordura trans e excesso de gordura saturada.
Padrões como a dieta mediterrânea e a dieta DASH são frequentemente associados à prevenção cardiovascular. A dieta DASH, por exemplo, foi estudada especialmente para redução da pressão arterial, com ênfase em frutas, vegetais, laticínios com baixo teor de gordura, grãos integrais e redução de sódio.
No Brasil, uma orientação muito prática é seguir a lógica do Guia Alimentar para a População Brasileira: dar preferência a comida de verdade, alimentos in natura ou minimamente processados, preparações caseiras e menor consumo de ultraprocessados.
Isso não significa que a pessoa nunca possa comer algo fora da rotina. A prevenção não precisa ser perfeita. Mas precisa ser consistente. O coração responde ao padrão repetido ao longo dos anos.
6. Pratique atividade física regularmente
O sedentarismo é um fator de risco importante para infarto. A atividade física melhora pressão arterial, glicose, colesterol, peso, função vascular, condicionamento cardiorrespiratório, sono e saúde mental.
Para a maioria dos adultos, uma meta prática é acumular pelo menos 150 minutos por semana de atividade física aeróbica moderada, como caminhada rápida, bicicleta, natação ou dança. Também é recomendável incluir exercícios de força, como musculação ou treinamento resistido, pelo menos duas vezes por semana, quando não houver contraindicação.
Mas aqui existe uma mensagem importante: não é preciso começar como atleta. Para uma pessoa sedentária, caminhar 10 a 15 minutos por dia já pode ser o começo de uma grande mudança. O objetivo inicial é sair da inércia. Depois, a intensidade e o volume podem ser aumentados gradualmente.
Pessoas com dor no peito, falta de ar desproporcional, desmaios, palpitações importantes ou doença cardíaca conhecida devem passar por avaliação médica antes de iniciar exercícios mais intensos.
7. Controle o peso, principalmente a gordura abdominal
O excesso de peso, especialmente quando há aumento da gordura abdominal, está associado a resistência à insulina, diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono, inflamação crônica, aumento de triglicerídeos e piora do perfil metabólico.
Evitar o infarto não depende apenas do número na balança, mas a composição corporal e a distribuição da gordura importam. A gordura visceral, acumulada na região abdominal e ao redor dos órgãos, é metabolicamente ativa e contribui para maior risco cardiovascular.
A perda de peso, quando indicada, pode melhorar pressão, glicose, triglicerídeos, HDL, inflamação, apneia do sono e qualidade de vida. Em algumas pessoas, mudanças de estilo de vida são suficientes. Em outras, pode ser necessário tratamento medicamentoso da obesidade ou cirurgia bariátrica, sempre com indicação médica e acompanhamento.
Hoje sabemos que obesidade não deve ser tratada apenas como “falta de vontade”. É uma doença crônica, multifatorial, com influência genética, hormonal, ambiental, comportamental e social. Tratar obesidade é também prevenir infarto.
8. Durma bem e investigue apneia do sono
O sono entrou de forma definitiva nas discussões sobre prevenção cardiovascular. Dormir mal está associado a maior risco de hipertensão, ganho de peso, resistência à insulina, arritmias, piora da saúde mental e maior risco cardiovascular.
Adultos geralmente devem buscar uma média de 7 a 9 horas de sono por noite, embora a necessidade individual possa variar. A própria American Heart Association incorporou o sono saudável ao Life’s Essential 8, reconhecendo seu papel na saúde do coração.
A apneia obstrutiva do sono merece destaque. Roncos altos, pausas respiratórias durante o sono, sonolência diurna, sono não reparador, acordar sufocado e pressão alta difícil de controlar podem sugerir apneia. Essa condição aumenta o risco cardiovascular e deve ser investigada.
Dormir bem não é luxo. É parte do tratamento preventivo.
9. Reduza o consumo de álcool
Durante muito tempo se falou que pequenas doses de álcool poderiam proteger o coração. Hoje essa ideia é cada vez mais questionada. Mesmo quando alguns estudos observacionais sugeriam benefício, havia muitos fatores de confusão. O álcool pode aumentar pressão arterial, triglicerídeos, arritmias, ganho de peso, esteatose hepática, risco de alguns cânceres e dependência.
Para evitar o infarto, a recomendação mais prudente é não estimular o álcool como estratégia de saúde. Quem não bebe não deve começar para “proteger o coração”. Quem bebe deve discutir com seu médico uma redução segura e adequada ao seu contexto.
10. Controle o estresse, mas sem culpar a emoção por tudo
O estresse crônico, a privação de sono, a ansiedade persistente e a sobrecarga emocional podem contribuir para piora da pressão arterial, alimentação desorganizada, sedentarismo, tabagismo, maior consumo de álcool e pior adesão ao tratamento.
É verdade que emoções intensas podem funcionar como gatilho para eventos cardiovasculares em pessoas vulneráveis. Mas é errado dizer que o infarto acontece apenas por “nervoso”. O infarto geralmente envolve uma base biológica: placas nas artérias, inflamação, trombose e fatores de risco acumulados.
Controlar o estresse ajuda, mas não substitui tratar pressão, colesterol, diabetes e tabagismo. Meditação, psicoterapia, atividade física, espiritualidade, lazer, sono adequado e organização da rotina podem ser úteis. Porém, prevenção cardiovascular precisa ser objetiva e mensurável.
11. Conheça sua história familiar
A genética também importa. Pessoas com familiares de primeiro grau que tiveram infarto, AVC ou morte súbita em idade precoce merecem atenção especial. Em geral, considera-se história familiar precoce quando homens da família tiveram eventos cardiovasculares antes dos 55 anos ou mulheres antes dos 65 anos.
A história familiar pode indicar maior predisposição a colesterol alto, hipertensão, diabetes, lipoproteína(a) elevada ou outras condições hereditárias. Nesses casos, pode ser necessário investigar mais cedo e tratar com metas mais rigorosas.
Um exame muitas vezes esquecido é a lipoproteína(a), ou Lp(a). Ela tem forte influência genética e está associada a maior risco de aterosclerose e estenose aórtica. Em muitas diretrizes, recomenda-se dosá-la pelo menos uma vez na vida em adultos, especialmente quando há história familiar ou risco cardiovascular aumentado.
12. Faça avaliação do risco cardiovascular
Uma das melhores formas de evitar o infarto é saber qual é o seu risco. Não basta olhar um exame isolado. Duas pessoas com o mesmo LDL podem ter riscos completamente diferentes dependendo da idade, pressão, diabetes, tabagismo, histórico familiar e presença de doença cardiovascular.
A avaliação do risco cardiovascular ajuda a decidir a intensidade do tratamento. Uma pessoa de baixo risco pode começar com mudanças de estilo de vida. Uma pessoa de alto risco pode precisar de medicação mais cedo, metas mais baixas de LDL e acompanhamento mais próximo.
Em alguns pacientes, exames complementares podem ajudar. O escore de cálcio coronariano, por exemplo, pode identificar calcificação nas coronárias e ajudar na reclassificação de risco. A angiotomografia de coronárias pode avaliar placas e obstruções em situações específicas. Testes funcionais, como teste ergométrico, cintilografia, ecocardiograma de estresse ou outros exames, podem ser indicados quando há sintomas ou suspeita de isquemia.
O ponto central é: exame não deve ser pedido de forma aleatória. Ele deve responder a uma pergunta clínica.
13. Use medicamentos quando eles forem necessários
Muitas pessoas querem evitar remédios a qualquer custo. O problema é que, em alguns casos, evitar remédio pode significar manter um risco alto de infarto.
Medicamentos para pressão, colesterol, diabetes, obesidade, cessação do tabagismo e prevenção cardiovascular podem salvar vidas quando bem indicados. O objetivo não é “medicalizar” todo mundo. O objetivo é tratar corretamente quem precisa.
Estatinas, por exemplo, são medicamentos com forte evidência na redução de eventos cardiovasculares em pessoas de risco aumentado. Anti-hipertensivos reduzem risco de AVC, infarto, insuficiência cardíaca e doença renal. Medicamentos modernos para diabetes podem trazer proteção cardiovascular em grupos específicos. Tratamentos para obesidade podem melhorar múltiplos fatores de risco.
A decisão deve ser individualizada. Mas uma mensagem precisa ficar clara: quando o risco é alto, estilo de vida e medicamentos não competem entre si. Eles se somam.
14. Aspirina previne infarto?
Essa é uma dúvida muito comum. A aspirina pode reduzir eventos cardiovasculares em algumas pessoas, especialmente em prevenção secundária, ou seja, em quem já teve infarto, AVC isquêmico, stent, cirurgia de revascularização ou doença aterosclerótica conhecida.
Mas em prevenção primária, quando a pessoa nunca teve evento cardiovascular, a aspirina não é indicada para todo mundo. Isso porque ela também aumenta risco de sangramento, principalmente gastrointestinal. Portanto, tomar aspirina por conta própria para “prevenir infarto” pode ser perigoso.
A decisão deve ser médica, considerando idade, risco cardiovascular, risco de sangramento e histórico individual.
15. Reconheça os sintomas e não demore a procurar ajuda
Prevenção também significa saber agir diante de sinais suspeitos. Dor, aperto, pressão, peso ou queimação no peito, especialmente se irradiar para braço, mandíbula, costas ou abdômen superior, deve ser valorizado. Falta de ar, suor frio, náuseas, palidez, tontura, desmaio ou mal-estar intenso também podem acompanhar o infarto.
O sintoma pode surgir durante esforço ou em repouso. Pode ser típico ou atípico. Mulheres, idosos e pessoas com diabetes podem ter manifestações menos clássicas.
Se houver suspeita de infarto, não se deve esperar “passar”. O atendimento rápido reduz complicações e salva músculo cardíaco. Tempo é coração.
Como evitar o infarto: resumo prático
Evitar o infarto envolve controlar os principais fatores de risco antes que eles causem dano. Na prática, isso significa medir e tratar a pressão arterial, controlar o colesterol LDL, não fumar, controlar glicose e diabetes, manter alimentação saudável, praticar atividade física, tratar excesso de peso, dormir bem, investigar apneia do sono quando houver suspeita, reduzir álcool, manejar o estresse, conhecer a história familiar e fazer avaliação médica do risco cardiovascular.
O mais importante é entender que prevenção não é uma atitude isolada. É uma estratégia contínua. O infarto pode parecer um evento súbito, mas geralmente é construído durante anos. Por isso, cada consulta, cada exame bem interpretado, cada ajuste de tratamento e cada mudança de hábito são oportunidades de proteger o coração.
Conclusão: o infarto pode ser evitado?
Em muitos casos, sim. Nem todos os infartos são completamente previsíveis ou evitáveis, porque existem fatores genéticos, biológicos e circunstâncias individuais. Mas uma grande parte do risco pode ser reduzida.
A melhor pergunta não é apenas “como evitar o infarto?”, mas sim: quais são os meus fatores de risco hoje e o que eu estou fazendo para controlá-los?
A prevenção cardiovascular moderna não se baseia em medo. Ela se baseia em informação, acompanhamento, metas claras e tratamento adequado. Cuidar da pressão, do colesterol, da glicose, do peso, do sono, da alimentação e da atividade física é cuidar diretamente das artérias coronárias.
Infarto não deve ser visto como destino inevitável. Para muitas pessoas, ele pode ser prevenido com diagnóstico precoce, acompanhamento médico e decisões consistentes ao longo da vida.
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Escrito por: Ênio Panetti Usiglio CRM 52 56781-1, médico especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (RQE 24185), membro da Sociedade Brasileira de Hipertensão Arterial.



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