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Principais exames da cardiologia: para que servem, quando são indicados


exames da cardiologia

Quando alguém pensa em cardiologia, é comum imaginar apenas o eletrocardiograma. Muita gente associa o cardiologista àquela folha cheia de linhas e ondas, que costuma ser feita em poucos minutos no consultório. Mas a verdade é que a cardiologia conta com diversos exames, e cada um deles tem uma função diferente. Alguns avaliam o ritmo do coração. Outros analisam a estrutura cardíaca. Há exames que mostram como o sangue circula, outros que ajudam a investigar falta de ar, dor no peito, palpitações, pressão alta ou risco de infarto. E existem também aqueles que acompanham pessoas que aparentemente estão bem, mas precisam avaliar sua saúde cardiovascular de forma preventiva.


Entender quais são os principais exames da cardiologia ajuda a diminuir a ansiedade, evita interpretações erradas e facilita a conversa com o médico. Nem sempre um exame mais sofisticado é melhor. Na cardiologia, o melhor exame é aquele que responde à pergunta certa. Em outras palavras, o exame precisa fazer sentido para o sintoma, para a idade, para o histórico da pessoa e para a suspeita clínica.


Por que os exames cardiológicos são tão importantes?


O coração trabalha sem parar. Ele bate todos os dias, o tempo inteiro, e depende de um funcionamento muito bem ajustado. Para que tudo corra bem, é preciso que exista um ritmo adequado, válvulas funcionando corretamente, músculo cardíaco saudável, circulação de sangue eficiente e pressão arterial controlada. Quando alguma dessas partes sai do equilíbrio, podem surgir sintomas como dor no peito, falta de ar, cansaço excessivo, tontura, desmaio, inchaço, palpitações ou queda de rendimento físico.


Mas nem sempre as doenças do coração dão sinais logo no início. Em muitos casos, elas evoluem silenciosamente por anos. Por isso, os exames cardiológicos têm um papel duplo. Eles servem para investigar sintomas quando existe alguma queixa, mas também são muito úteis na prevenção. Uma pessoa com pressão alta, diabetes, colesterol elevado, obesidade, histórico familiar de infarto ou tabagismo pode precisar de avaliação cardiológica mesmo sem sintomas importantes.


O eletrocardiograma é o exame da cardiologia mais conhecido


O eletrocardiograma, também chamado de ECG, é um dos exames mais tradicionais e mais pedidos em cardiologia. Ele registra a atividade elétrica do coração, ou seja, mostra como o estímulo elétrico passa pelas diferentes partes cardíacas para produzir os batimentos.

É um exame muito útil porque pode ajudar a identificar alterações do ritmo, como arritmias, sinais indiretos de sobrecarga do coração, distúrbios de condução elétrica, efeitos de algumas medicações e, em determinadas situações, sinais de infarto ou sofrimento cardíaco.

O eletrocardiograma costuma ser indicado quando a pessoa sente palpitações, dor no peito, tontura, falta de ar, desmaio, aumento da pressão arterial, ou quando vai iniciar uma atividade física intensa ou apresenta risco cardiovascular elevado.


A realização é simples, rápida e indolor. A pessoa fica deitada, e pequenos adesivos são colocados no tórax, nos punhos e nos tornozelos. Esses eletrodos captam a atividade elétrica do coração. O exame leva poucos minutos e não emite choque. Ele apenas registra o funcionamento elétrico cardíaco naquele momento.


É importante entender que o eletrocardiograma mostra um retrato curto, quase como uma fotografia de alguns segundos do coração. Por isso, se a pessoa tem uma arritmia que aparece só de vez em quando, o ECG pode estar normal no momento do exame. Nesses casos, outros métodos podem ser mais adequados.


O ecocardiograma mostra a estrutura e o movimento do coração


O ecocardiograma é outro exame muito importante e frequentemente solicitado. Ele funciona como uma ultrassonografia do coração. Em vez de registrar a eletricidade, ele usa ondas sonoras para produzir imagens em movimento.


Esse exame permite avaliar o tamanho das cavidades cardíacas, a espessura do músculo do coração, a força de bombeamento, o funcionamento das válvulas, a presença de insuficiência cardíaca, alterações congênitas, derrame ao redor do coração e outros problemas estruturais.


O ecocardiograma costuma ser indicado quando o médico quer investigar sopro no coração, falta de ar, cansaço, inchaço, pressão alta de longa data, suspeita de insuficiência cardíaca, alterações valvares, histórico de infarto ou acompanhamento de doenças já conhecidas.


A forma mais comum é o ecocardiograma transtorácico. A pessoa deita de lado, geralmente do lado esquerdo, e o médico ou profissional coloca um gel no peito para deslizar o aparelho que capta as imagens. O exame é indolor e costuma durar alguns minutos. Em alguns casos, pode ser necessário pedir variantes do ecocardiograma, como o ecocardiograma com estresse ou o transesofágico, dependendo da situação clínica.

O ecocardiograma é um exame muito valioso porque mostra a anatomia e a função do coração em tempo real. Ele não substitui todos os outros, mas muitas vezes responde a perguntas fundamentais da cardiologia.


O teste ergométrico avalia o coração durante o esforço


O teste ergométrico, também conhecido como teste de esforço, é um exame bastante conhecido. Ele costuma ser indicado quando se deseja observar como o coração se comporta durante atividade física controlada.


O principal objetivo é avaliar sintomas que surgem ao esforço, como dor no peito, falta de ar, cansaço desproporcional, tontura ou palpitações. Também pode ser útil para investigar suspeita de obstruções nas artérias do coração, acompanhar pessoas com doença cardiovascular já conhecida, avaliar resposta da pressão durante o exercício e ajudar na prescrição de atividade física em alguns casos.


Durante o exame, a pessoa caminha em uma esteira ou pedala em bicicleta ergométrica, enquanto o eletrocardiograma, os batimentos cardíacos e a pressão arterial são monitorados. O esforço vai aumentando gradualmente, conforme um protocolo definido. O exame é interrompido quando se atinge determinado nível de esforço, quando surgem sintomas importantes ou quando o médico considera que já obteve as informações necessárias.


Muita gente tem receio do teste ergométrico, mas ele é realizado com acompanhamento profissional e em ambiente preparado. Antes de ser indicado, o médico avalia se ele faz sentido e se é seguro para aquela pessoa. Em muitos pacientes, trata-se de um exame muito útil para entender como o coração reage ao esforço da vida real.


O Holter registra o coração por 24 horas ou mais


O Holter é um exame que funciona como um eletrocardiograma prolongado. Em vez de captar apenas alguns segundos, ele registra o ritmo cardíaco durante 24 horas, 48 horas ou até mais, dependendo da necessidade.


Esse exame é especialmente útil quando há suspeita de arritmias que não aparecem no eletrocardiograma comum. Ele costuma ser pedido para investigar palpitações, sensação de coração acelerado ou falhando, tontura, desmaio, pausas no ritmo cardíaco ou para acompanhar pacientes que já sabem ter arritmias.


Na prática, pequenos eletrodos são colocados no tórax e conectados a um gravador portátil. A pessoa vai para casa com o aparelho e segue sua rotina o mais normalmente possível. Durante o período do exame, costuma anotar sintomas, horários de atividades, sono e eventuais episódios de mal-estar. Isso ajuda o médico a comparar o que a pessoa sentiu com o que aconteceu no ritmo cardíaco naquele momento.


O Holter é muito útil porque mostra o comportamento do coração ao longo do dia e da noite. Em muitos casos, ele consegue detectar alterações que passariam despercebidas em um exame rápido de consultório.


A MAPA ajuda a entender melhor a pressão arterial


A MAPA, sigla para Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial, é um exame voltado principalmente para a investigação da pressão alta. Ela mede a pressão ao longo de 24 horas, inclusive durante o sono.


Esse exame é muito importante porque a pressão não é igual o tempo todo. Ela varia ao longo do dia conforme emoções, esforço, estresse, sono, alimentação e diversos outros fatores. Uma medida isolada no consultório nem sempre representa a realidade completa.

A MAPA costuma ser indicada quando há dúvida diagnóstica sobre hipertensão, suspeita de hipertensão do avental branco, suspeita de hipertensão mascarada, avaliação da eficácia do tratamento anti-hipertensivo ou investigação de oscilações importantes da pressão.


Para realizar o exame, instala-se um aparelho portátil conectado a um manguito no braço. Essa braçadeira (manguito) infla automaticamente em intervalos programados durante o dia e a noite. Depois, o médico analisa os dados e observa não apenas os números, mas também o padrão das medidas ao longo das 24 horas.


A MAPA é muito útil porque mostra como a pressão se comporta na vida real. Em muitos pacientes, ele evita diagnósticos errados e permite um tratamento mais preciso.


A MRPA também é importante no controle da pressão


Além do MAPA, existe a MRPA, que significa Monitorização Residencial da Pressão Arterial. Nesse caso, a própria pessoa mede a pressão em casa, com aparelho validado e orientações corretas, durante alguns dias seguidos.


A MRPA é bastante útil para acompanhar hipertensão, confirmar diagnóstico e observar se o tratamento está funcionando. A vantagem é que as medidas são feitas em ambiente habitual, o que reduz a influência emocional do consultório em muitos pacientes.

É um exame simples, mas precisa ser feito da forma certa. Posição adequada, tempo de repouso, aparelho confiável e registro correto fazem toda a diferença. Quando bem orientada, a MRPA torna-se uma ferramenta muito valiosa no acompanhamento cardiovascular.


A monitorização de eventos pode ser necessária em arritmias ocasionais


Algumas pessoas têm sintomas raros, como palpitações ou tonturas que aparecem uma vez por semana, duas vezes por mês ou de forma muito esporádica. Nesses casos, o Holter de 24 horas pode não ser suficiente. É aí que entram os monitores de eventos ou gravadores prolongados do ritmo do coração.


Esses dispositivos registram o ritmo cardíaco por períodos maiores e podem ser ativados no momento dos sintomas ou funcionar de forma automática, dependendo do modelo. Eles ajudam a correlacionar o sintoma com o que realmente estava acontecendo no coração naquele instante.


São exames especialmente úteis para investigar desmaios sem explicação, palpitações intermitentes e suspeita de arritmias pouco frequentes.


O tilt test, ou teste de inclinação, ajuda a investigar desmaios e tonturas



O tilt test, também chamado de teste de inclinação, é um exame usado principalmente para investigar episódios de desmaio, pré-desmaio, tontura importante ao ficar em pé e suspeita de síncope vasovagal. Ele também pode ajudar em alguns casos de intolerância ortostática e na avaliação de distúrbios do sistema nervoso autônomo, que é a parte do organismo responsável por regular funções automáticas como pressão arterial e frequência cardíaca.


A lógica do exame é observar como o corpo reage à mudança de posição. Em condições normais, quando uma pessoa passa da posição deitada para a posição em pé, o organismo faz ajustes rápidos para manter a pressão e a circulação cerebral adequadas. Quando esse mecanismo falha, podem surgir queda de pressão, aumento inadequado da frequência cardíaca, mal-estar, escurecimento da visão, sudorese, náusea e até desmaio.


O tilt test costuma ser indicado quando a pessoa apresenta desmaios recorrentes sem causa bem definida, episódios de quase desmaio, tontura postural, suspeita de síncope reflexa, síncope vasovagal ou quadros em que o médico quer entender se os sintomas têm relação com alteração de pressão e pulso ao ortostatismo. Em alguns pacientes, ele também entra na investigação de síndromes como a POTS, em que há aumento exagerado da frequência cardíaca ao ficar em pé.


O exame é feito com o paciente deitado em uma maca especial, preso com cintas de segurança para evitar quedas. Inicialmente, são monitorados pressão arterial, frequência cardíaca e sintomas em repouso. Depois, a maca é inclinada progressivamente até uma posição semelhante à de ficar em pé, enquanto a equipe observa como o organismo reage. Em alguns protocolos, pode ser usada medicação para aumentar a sensibilidade do teste, sempre com monitorização adequada.


O exame não é cirúrgico, não exige cortes e costuma ser bem tolerado, embora possa reproduzir alguns dos sintomas que o paciente sente no dia a dia. Na verdade, esse é justamente o objetivo: tentar documentar, de forma controlada, a resposta do organismo no momento em que os sintomas aparecem.


O tilt test é especialmente útil porque, em muitos casos, o desmaio não acontece por uma doença estrutural do coração, mas por uma resposta exagerada do sistema nervoso autônomo, com queda da pressão e, às vezes, também da frequência cardíaca. Quando bem indicado, o exame ajuda a diferenciar melhor essas causas e pode orientar o tratamento e as medidas preventivas.



A cintilografia miocárdica avalia a circulação do coração


A cintilografia miocárdica é um exame usado para avaliar a perfusão do músculo cardíaco, ou seja, se o sangue está chegando adequadamente ao coração, especialmente durante o esforço e em repouso.


Ela costuma ser indicada quando há suspeita de doença arterial coronariana, principalmente em pessoas com dor no peito, falta de ar ao esforço ou alterações em outros exames. Também pode ser útil para avaliar risco, investigar áreas do coração que estejam sofrendo por falta de sangue e acompanhar casos já conhecidos de obstrução nas artérias coronárias.


O exame funciona com a injeção de uma pequena quantidade de material radioativo, que permite visualizar a distribuição do sangue no coração por meio de imagens. Em geral, são feitas imagens em repouso e em estresse, que pode ser com exercício ou com medicação que simula o esforço. Depois, o médico compara as duas fases.


Apesar de o nome assustar algumas pessoas, trata-se de um exame bastante utilizado e com indicação bem definida. Ele não é necessário para todo mundo, mas em certos contextos pode trazer informações muito importantes.


O ecocardiograma com estresse é outra forma de investigar isquemia


O ecocardiograma com estresse, também chamado de eco estresse, combina o ultrassom do coração com esforço físico ou medicações que aceleram o trabalho cardíaco. O objetivo é observar como o coração se comporta quando precisa trabalhar mais.


Ele pode ser indicado na investigação de dor no peito, suspeita de isquemia, avaliação de certas válvulas ou análise de resposta funcional do coração. Em vez de se apoiar apenas no eletrocardiograma durante o esforço, como no teste ergométrico, esse exame também observa diretamente o movimento das paredes do coração.


A lógica é simples. Se alguma área do músculo cardíaco estiver recebendo menos sangue do que deveria, ela pode passar a se contrair de forma diferente durante o estresse. Isso pode sugerir comprometimento da circulação coronariana.


A tomografia das coronárias ganhou muito espaço nos últimos anos


A angiotomografia de coronárias é um exame moderno e cada vez mais utilizado para estudar as artérias do coração. Ela consegue mostrar a anatomia das coronárias e verificar se existem placas de gordura, estreitamentos ou sinais de aterosclerose.


É um exame particularmente útil em pessoas com sintomas compatíveis com doença coronariana, mas que não têm um quadro muito típico ou muito alto risco logo de início. Também pode ser útil em alguns contextos de avaliação preventiva mais refinada, sempre de acordo com a indicação médica.


O exame é feito em aparelho de tomografia, geralmente com uso de contraste na veia. Em algumas situações, medicações são dadas antes para controlar a frequência cardíaca, pois imagens mais precisas exigem batimentos mais estáveis. Durante o exame, a pessoa fica deitada e precisa seguir instruções simples, como prender a respiração por alguns segundos.


A grande vantagem da tomografia coronariana é oferecer uma visão anatômica detalhada das artérias do coração. Ela ajuda a entender se há placas, qual a extensão do problema e, em muitos casos, contribui para evitar exames invasivos desnecessários.


O escore de cálcio é um exame preventivo em situações selecionadas


O escore de cálcio é uma tomografia sem contraste que mede a quantidade de cálcio nas artérias coronárias. Ele não substitui a avaliação médica, mas pode ajudar a refinar o risco cardiovascular em alguns pacientes, especialmente aqueles que não têm doença conhecida, mas apresentam fatores de risco e precisam de uma estimativa mais precisa do risco futuro.


Em linguagem simples, o exame ajuda a identificar se já existe sinal de aterosclerose coronariana. Quanto maior o escore, maior costuma ser a carga de placa calcificada e, em muitos casos, maior o risco cardiovascular.


O exame é rápido, não invasivo e não exige contraste. Nem toda pessoa precisa fazê-lo, mas em pacientes selecionados ele pode ser muito útil para orientar decisões preventivas.


O cateterismo cardíaco é um exame invasivo, mas muito importante em alguns casos


O cateterismo cardíaco, também chamado de cineangiocoronariografia em algumas situações, é um exame mais invasivo usado para estudar diretamente as artérias do coração. Ele costuma ser indicado quando há suspeita forte de obstruções importantes, em quadros de infarto, angina, alterações significativas em exames prévios, necessidade de tratamento com angioplastia, doenças congênitas do coração ou para estudar alterações de pressão na circulação pulmonar.


No procedimento, um cateter fino é introduzido por uma artéria, geralmente no punho ou na virilha, e conduzido até o coração. Um contraste é injetado para que as artérias coronárias sejam visualizadas em tempo real por raio X. Assim, o médico consegue ver se existem entupimentos, onde estão e qual é a gravidade.


Embora o cateterismo assuste mais, ele é um exame extremamente valioso quando bem indicado. Além de diagnosticar, em muitos casos já permite tratamento no mesmo contexto, como colocação de stent.


É importante destacar que ele não é exame de rotina. O cateterismo é reservado para situações específicas, nas quais a informação anatômica precisa ou a necessidade terapêutica justificam um exame invasivo.


O exame de sangue também faz parte da cardiologia


Muitas pessoas não pensam nisso, mas vários exames de sangue são fundamentais na avaliação cardiológica. Eles não mostram o coração batendo, mas ajudam a entender o risco cardiovascular e o estado geral do organismo.


Colesterol total, LDL, HDL, triglicerídeos, glicose, hemoglobina glicada, função renal, eletrólitos, hormônios da tireoide, marcadores inflamatórios e outros exames laboratoriais podem ser muito importantes dependendo da situação.


Em quadros agudos, como suspeita de infarto, exames como a troponina podem ser decisivos. Já em contexto de prevenção, o perfil lipídico e a glicemia, por exemplo, ajudam a identificar fatores de risco silenciosos. Em casos de insuficiência cardíaca, alguns marcadores específicos também podem auxiliar.


Ou seja, cardiologia não se resume a exames de imagem. Muitas vezes, uma avaliação cardiovascular bem feita depende da combinação entre consulta, exame físico, exames laboratoriais e métodos complementares.


O raio X de tórax ainda pode ter utilidade


Embora não seja um exame exclusivo da cardiologia, o raio X de tórax continua sendo útil em algumas situações. Ele pode mostrar aumento do coração, sinais de congestão pulmonar, alterações nos pulmões e pistas indiretas sobre determinadas doenças cardiovasculares.


É um exame simples, rápido e acessível. Nem sempre resolve o problema sozinho, mas pode somar informações importantes, principalmente em pessoas com falta de ar, suspeita de insuficiência cardíaca ou avaliação inicial em contextos hospitalares.


A ressonância magnética cardíaca é um exame avançado e muito detalhado


A ressonância magnética cardíaca é um exame sofisticado que fornece imagens de alta qualidade do coração. Ela pode ser muito útil para investigar doenças do músculo cardíaco, inflamações, cicatrizes, cardiomiopatias, miocardite, viabilidade miocárdica, doenças congênitas e outras condições mais complexas.


Nem todo paciente precisa desse exame, mas quando há dúvida diagnóstica ou necessidade de detalhamento maior, ele pode ser extremamente valioso. A pessoa fica deitada dentro do aparelho de ressonância, e o exame pode durar mais tempo do que outros métodos. Em alguns casos, usa-se contraste.


É um exame que costuma ser reservado para situações específicas, mas tem grande importância em cardiologia moderna.


O estudo eletrofisiológico é usado em casos selecionados de arritmia


Quando o assunto é arritmia, existe ainda o estudo eletrofisiológico, que é um exame invasivo mais especializado. Ele é indicado em situações específicas, geralmente quando é necessário entender com precisão a origem de uma arritmia ou quando já se considera um tratamento por ablação.


No procedimento, cateteres são introduzidos por vasos sanguíneos e avançados até o coração para mapear o sistema elétrico cardíaco. É um exame importante, mas claramente não faz parte da rotina da maioria das pessoas. Ele é reservado para quadros em que a investigação precisa ir além dos métodos habituais.



Como o cardiologista decide qual exame pedir?


Essa é uma das perguntas mais importantes. Muitas pessoas acham que quanto mais exames fizerem, melhor. Mas não é assim. Exame sem indicação pode confundir mais do que ajudar.


O cardiologista decide qual exame pedir com base em vários fatores: sintomas, idade, fatores de risco, histórico familiar, presença de doenças conhecidas, exame físico, tipo de dúvida clínica e utilidade prática da informação.


Uma dor no peito, por exemplo, não é igual para todos. Em uma pessoa jovem, sem fatores de risco, a abordagem pode ser muito diferente da de um paciente diabético, hipertenso e com forte histórico familiar. O mesmo vale para palpitações, falta de ar, tontura ou pressão alta.


Por isso, a consulta continua sendo insubstituível. É nela que o médico organiza o raciocínio e entende o que realmente precisa ser investigado.


Nem todo exame normal significa ausência completa de risco

Outro ponto importante é que os exames precisam ser interpretados dentro do contexto. Um exame normal é uma ótima notícia, mas não deve ser visto isoladamente. Da mesma forma, uma pequena alteração em um exame nem sempre significa doença grave.


Por exemplo, uma pessoa pode ter um eletrocardiograma normal e ainda assim precisar investigar palpitações com Holter. Outra pode ter sintomas típicos de angina e precisar de exames adicionais, mesmo com exame inicial aparentemente sem alterações. Já em algumas situações, exames muito detalhados podem encontrar achados sem grande relevância clínica, o que exige interpretação cuidadosa para não gerar preocupação desnecessária.


Na cardiologia, o valor do exame está tanto no resultado quanto na forma como esse resultado conversa com a história clínica.


Quando procurar avaliação e exames da cardiologia?


Nem sempre é preciso esperar um sintoma intenso para procurar um cardiologista. O cardiologista é o médico que trata mas também é o médico que previne as doenças do coração. Alguns sinais merecem atenção, como dor ou pressão no peito, palpitações frequentes, falta de ar fora do habitual, tontura, desmaio, inchaço nas pernas, cansaço fácil, pressão alta, colesterol elevado e queda inexplicada de desempenho físico.


Além disso, mesmo sem sintomas, algumas pessoas se beneficiam muito de uma avaliação preventiva. É o caso de quem tem histórico familiar de infarto precoce, diabetes, hipertensão, obesidade, tabagismo, sedentarismo ou idade em que o risco cardiovascular começa a aumentar.


A avaliação não serve apenas para “descobrir doença”. Ela também serve para evitar que a doença apareça ou progrida.


O principal exame ainda é a boa avaliação médica

Em um momento em que se fala tanto em tecnologia, vale lembrar uma verdade simples: o melhor caminho em cardiologia sempre começa por uma consulta bem feita. Os exames são ferramentas valiosas, mas não substituem escuta, exame físico, raciocínio clínico e interpretação individualizada.


O eletrocardiograma é excelente para avaliar a atividade elétrica do coração. O ecocardiograma mostra sua estrutura e função. O teste ergométrico ajuda a entender a resposta ao esforço. O Holter capta alterações do ritmo ao longo do dia. O MAPA e a MRPA aprofundam a avaliação da pressão arterial. A tomografia das coronárias e o escore de cálcio ajudam a estudar a aterosclerose. A cintilografia, o eco estresse, a ressonância e o cateterismo entram em situações específicas. E os exames de sangue completam uma parte fundamental do raciocínio cardiológico.


Cada um desses exames tem seu papel. Nenhum é universal. Nenhum serve para tudo. E, justamente por isso, a escolha correta faz tanta diferença.

Se você tem sintomas, fatores de risco ou apenas quer entender melhor como está sua saúde cardiovascular, uma avaliação adequada pode ser o primeiro passo para prevenção, diagnóstico e tratamento no momento certo.


Ênio Panetti Usiglio CRM 52 56781-1, médico especialista em cardiologia pela sociedade brasileira de cardiologia (RQE 24185), membro da sociedade brasileira de hipertensão arterial. Pós-graduado em nutrologia.


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Referências

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  2. European Society of Cardiology. 2024 ESC Guidelines for the Management of Chronic Coronary Syndromes. 2024.  

  3. Mota-Gomes A, Feitosa ADM, Brandão AA, Gomes MAM, Barbosa ECD, Miranda RD, et al. Diretrizes Brasileiras de Medidas da Pressão Arterial Dentro e Fora do Consultório – 2024. Arq Bras Cardiol. 2024.  

  4. Brunström M, Carlberg B, Cifkova R, et al. 2023 ESH Guidelines for the Management of Arterial Hypertension. J Hypertens. 2023.  

  5. Brignole M, Moya A, de Lange FJ, et al. 2018 ESC Guidelines for the Diagnosis and Management of Syncope. Eur Heart J. 2018.  

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  7. American Society of Echocardiography. ASE Guidelines.  

  8. American Society of Nuclear Cardiology. ASNC Practice Points: Myocardial Perfusion Imaging.  

  9. Sociedade Brasileira de Cardiologia; Colégio Brasileiro de Radiologia. Diretriz de Tomografia Computadorizada Cardiovascular e Ressonância Magnética Cardiovascular. 2024.  

 
 
 

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​Ênio Panetti

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