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Vitamina D: O que o novo consenso da Endocrine Society 2024 revela sobre saúde, prevenção e suplementação

vitamina D

A vitamina D é conhecida como o “hormônio do sol”. Apesar de ser chamada de vitamina, ela funciona muito mais como um hormônio, participando de diversos processos fundamentais no organismo. Nos últimos anos, o interesse em torno da vitamina D explodiu: será que ela previne doenças? Será que precisamos suplementar? Devo pedir exame de sangue para medir meus níveis?

Em junho de 2024, a Endocrine Society, uma das instituições médicas mais respeitadas do mundo, lançou um novo consenso científico com base nas melhores evidências disponíveis até agora. O documento traz recomendações claras sobre quando realmente vale a pena suplementar vitamina D, quem deve fazer exames e quais são os grupos que mais se beneficiam.

Neste artigo, vamos traduzir esse consenso de forma simples e prática, para que você entenda como a vitamina D influencia a saúde, quem precisa de suplementação e quais os riscos de usar sem necessidade.


Por que a vitamina D é tão importante?

A vitamina D não atua apenas nos ossos, como muita gente pensa. É verdade que ela ajuda a manter o cálcio fixado e previne doenças como osteoporose e raquitismo, mas seu papel vai muito além disso.

Estudos mostram que a vitamina D participa de processos de imunidade, saúde cardiovascular, prevenção de diabetes, funcionamento muscular, controle da pressão arterial e até na gestação.

Por esse motivo, ao longo dos últimos anos, houve um aumento enorme na prescrição de exames e de suplementos. Só que, segundo o novo consenso, isso pode estar acontecendo de forma exagerada e desnecessária.



O que o consenso de 2024 traz de novidade?

O novo guideline da Endocrine Society se chama “Vitamin D for the Prevention of Disease: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline”, publicado em junho de 2024 no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism.

A principal mensagem é clara: nem todo mundo precisa tomar vitamina D, nem sair pedindo exame para medir os níveis no sangue. O consenso recomenda focar em grupos de maior risco e evitar suplementação indiscriminada.

Vamos detalhar cada ponto.


Quem realmente deve suplementar vitamina D?

O consenso de 2024 identificou quatro grupos que podem se beneficiar de suplementação mesmo sem exames prévios:

1. Crianças e adolescentes (1 a 18 anos)

  • A suplementação ajuda a prevenir raquitismo (doença que enfraquece os ossos).

  • Pode reduzir também o risco de infecções respiratórias recorrentes.

  • Nos estudos, as doses variaram bastante, mas em média ficavam em torno de 1.200 UI por dia.

2. Gestantes

  • A suplementação está associada a menor risco de pré-eclâmpsia, parto prematuro, natimortalidade e baixo peso ao nascer.

  • A média usada nos estudos foi de cerca de 2.500 UI por dia.

  • Esse é um dos grupos mais importantes, porque a vitamina D afeta tanto a saúde da mãe quanto a do bebê.

3. Idosos acima de 75 anos

  • A suplementação mostrou benefício em reduzir mortalidade nessa faixa etária.

  • As doses médias giraram em torno de 900 UI por dia.

  • O efeito parece estar ligado à melhora da imunidade, redução de quedas e proteção cardiovascular.

4. Pessoas com pré-diabetes

  • Estudos sugerem que a suplementação pode retardar a evolução para diabetes tipo 2 em indivíduos de alto risco.

  • As doses variaram muito, mas a média foi de cerca de 3.500 UI por dia.



Quem não precisa suplementar?

  • Adultos saudáveis com menos de 75 anos, que não estejam gestantes nem tenham pré-diabetes, não devem suplementar vitamina D de forma empírica.

  • Para esse grupo, basta seguir a ingestão recomendada pela IOM (Instituto de Medicina dos EUA):

    • 600 UI por dia até os 70 anos.

    • 800 UI por dia acima dos 70 anos.

  • Essa quantidade pode ser obtida com uma alimentação equilibrada e exposição solar moderada.


E os exames de vitamina D no sangue?

Uma das recomendações mais fortes do consenso é: não se deve pedir exames de vitamina D de rotina em pessoas saudáveis.

Mesmo em grupos com pele mais escura ou pessoas com obesidade, não há evidência de que dosar a 25-hidroxivitamina D (o exame mais comum) traga benefício prático para a saúde.

O exame deve ser reservado para situações específicas, como doenças ósseas, uso de alguns medicamentos ou condições médicas que realmente alteram o metabolismo da vitamina D.


Como deve ser feita a suplementação?

Outro ponto importante do consenso: quando houver necessidade de suplementação, ela deve ser feita com doses diárias e moderadas, e não com megadoses semanais ou mensais.

Isso porque os estudos mostraram que o uso de doses altas em intervalos longos pode não trazer os mesmos benefícios, e em alguns casos até aumentar riscos.

Portanto, a forma mais segura e eficaz é usar doses menores, mas de forma contínua.


Vitamina D e saúde do coração

Como este texto também se conecta com a cardiologia, vale destacar a relação entre vitamina D e saúde cardiovascular.

A deficiência de vitamina D já foi associada a hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, infarto e até arritmias. No entanto, os grandes estudos clínicos mostram que a suplementação só traz benefícios claros em grupos específicos, como idosos e pessoas de risco aumentado.

Isso significa que, para um adulto saudável de meia-idade, a suplementação não é garantia de proteção contra infarto ou derrame. Mas para idosos acima de 75 anos, o consenso de 2024 reconhece que há redução na mortalidade geral — e parte desse efeito pode estar ligada à proteção cardiovascular.


Vitamina D, nutrologia e metabolismo

No campo da nutrologia, a vitamina D ganha destaque especial. Ela influencia diretamente a regulação da glicose, a sensibilidade à insulina e até o metabolismo energético.

Nos pacientes com pré-diabetes, por exemplo, a suplementação pode retardar a progressão para diabetes tipo 2. Esse achado é extremamente relevante, já que o Brasil tem milhões de pessoas nessa condição e a vitamina D pode se tornar um aliado simples e barato para prevenção.

Além disso, como a vitamina D também participa da saúde muscular, sua suplementação pode ajudar em pacientes com sarcopenia, fadiga crônica e baixa disposição física — situações comuns em consultórios de nutrologia.


Fontes naturais de vitamina D

Mesmo com a popularização dos suplementos, não podemos esquecer das fontes naturais:

  • Exposição solar: cerca de 15 a 20 minutos de sol em braços e pernas, 3 vezes por semana, já é suficiente para a maioria das pessoas.

  • Alimentação: peixes gordurosos (salmão, sardinha), ovos, fígado e alimentos fortificados (como alguns leites.)

No entanto, é difícil atingir as doses ideais apenas com dieta, especialmente em pessoas com pouca exposição ao sol — por isso a suplementação acaba sendo necessária em alguns casos.



Riscos do excesso de vitamina D

Muita gente acredita que, por ser uma vitamina, não há problema em tomar em excesso. Mas a verdade é que a vitamina D em doses muito altas pode ser tóxica.

O excesso pode levar a hipercalcemia, que causa sintomas como:

  • Náuseas, vômitos, sede excessiva e confusão mental.

  • Em casos graves, pode gerar lesão renal e arritmias cardíacas.

  • Hepatite por hipervitaminose.

Por isso, mesmo em grupos que precisam suplementar, as doses devem ser moderadas e acompanhadas por orientação médica.



O que este consenso muda na prática?

O consenso da Endocrine Society 2024 muda a forma como médicos e pacientes devem encarar a vitamina D:

  1. Sai a suplementação indiscriminada. Agora, só alguns grupos realmente precisam dela.

  2. Sai a testagem de rotina. O exame de vitamina D deve ser feito apenas quando houver motivo clínico.

  3. Entra a suplementação inteligente. Doses diárias, moderadas, contínuas — não megadoses intermitentes.

  4. Foco na prevenção de doenças específicas. O benefício não é para todos, mas sim para crianças, gestantes, idosos e pessoas com pré-diabetes.



Conclusão

A vitamina D continua sendo essencial para a saúde, mas a ciência mostra que menos pode ser mais.

O novo consenso da Endocrine Society 2024 reforça que nem todos precisam suplementar ou medir níveis no sangue. A suplementação deve ser individualizada, segura e direcionada a quem realmente se beneficia:

  • Crianças e adolescentes.

  • Gestantes.

  • Idosos acima de 75 anos.

  • Pessoas com pré-diabetes.

Para os demais, manter uma vida equilibrada, com boa alimentação e exposição solar adequada, já é suficiente.

Assim, a vitamina D deixa de ser vista como uma “pílula mágica” e passa a ser encarada como o que realmente é: um recurso valioso, mas que precisa ser usado com critério médico, especialmente na cardiologia e na nutrologia.


✅ Palavras finais: Se você tem dúvidas sobre suplementação, procure sempre orientação médica. Cada organismo é único, e o excesso de cuidado pode ser tão prejudicial quanto a falta dele.


Para agendar sua consulta com o Dr. Enio Panetti, entre em contato através do WhatsApp:



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