top of page
Buscar

Qual o melhor remédio para pressão alta? Entenda as opções

melhor remédio para pressão alta

A pressão alta, também conhecida como hipertensão arterial, afeta mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo e é a principal causa de doenças cardiovasculares, incluindo infarto, derrame e insuficiência cardíaca. Se você recebeu o diagnóstico de pressão alta, provavelmente já se perguntou: qual é o melhor remédio para controlar essa condição?


A resposta pode surpreendê-lo: não existe um único "melhor" remédio para todos. A escolha do medicamento mais adequado depende de vários fatores, incluindo seus níveis de pressão arterial, outras condições de saúde que você possa ter, possíveis efeitos colaterais e como seu corpo responde ao tratamento. No entanto, existem classes de medicamentos comprovadamente eficazes que formam a base do tratamento da hipertensão. As recomendações atuais das principais sociedades de cardiologia, incluindo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, recomendam o uso combinado de duas ou mais classes de medicamentos anti-hipertensivos.


As quatro classes principais de medicamentos


Os médicos em todo o mundo concordam que existem quatro classes principais de medicamentos considerados de primeira linha para o tratamento da pressão alta. Isso significa que são as opções mais seguras e eficazes para a maioria das pessoas que precisam iniciar tratamento medicamentoso.


Diuréticos tiazídicos e similares


Os diuréticos, frequentemente chamados de "pílulas de água", ajudam os rins a eliminar sódio e água do corpo através da urina. Isso reduz o volume de líquido nos vasos sanguíneos, diminuindo a pressão arterial.


Os diuréticos tiazídicos, como a hidroclorotiazida e similares como a clortalidona e indapamida, são alguns dos medicamentos mais antigos para pressão alta, mas continuam sendo extremamente eficazes. Estudos mostram que eles reduzem a pressão arterial sistólica em aproximadamente 10 a 14 milímetros de mercúrio quando usados em dose padrão.


Uma grande vantagem dos diuréticos é que eles têm um histórico comprovado de redução de eventos cardiovasculares graves, como infartos e derrames.


Os efeitos colaterais mais comuns incluem aumento da frequência urinária, especialmente no início do tratamento, e alterações nos níveis de eletrólitos no sangue, como potássio baixo. Por isso, seu médico pode solicitar exames de sangue periódicos para monitorar esses níveis.


Inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECAs)


Os IECAs, como captopril, enalapril, lisinopril e ramipril, funcionam bloqueando uma enzima que produz angiotensina II, uma substância que estreita os vasos sanguíneos. Ao bloquear essa enzima, os vasos se relaxam e a pressão arterial diminui.


Esses medicamentos reduzem a pressão arterial sistólica em aproximadamente 6 a 12 milímetros de mercúrio. Além de controlar a pressão, os IECAs oferecem proteção adicional para os rins, sendo especialmente recomendados para pessoas com diabetes ou doença renal crônica.


O efeito colateral mais característico dos IECAs é a tosse seca, que afeta cerca de 10 a 20% das pessoas que usam esses medicamentos. Se a tosse se tornar incômoda, seu médico pode trocar o IECA por um bloqueador dos receptores de angiotensina, que tem efeito semelhante mas raramente causa tosse.


Outros efeitos colaterais possíveis incluem aumento dos níveis de potássio no sangue e, raramente, inchaço da face ou língua. Os IECAs são contraindicados durante a gravidez.


Bloqueadores dos Receptores de Angiotensina (BRAs)


Os BRAs, como losartana, valsartana e candesartana, funcionam de maneira semelhante aos IECAs, mas bloqueiam diretamente os receptores onde a angiotensina II age, em vez de bloquear sua produção.


Esses medicamentos reduzem a pressão arterial sistólica em aproximadamente 8 a 11 milímetros de mercúrio. São particularmente úteis para pessoas que não toleram IECAs devido à tosse, pois os BRAs raramente causam esse efeito colateral.


Assim como os IECAs, os BRAs oferecem proteção renal e são recomendados para pessoas com diabetes ou doença renal. Os efeitos colaterais são geralmente leves e semelhantes aos dos IECAs, exceto pela tosse. Os BRAs também são contraindicados na gravidez.


É importante saber que IECAs e BRAs não devem ser usados juntos, pois essa combinação não traz benefícios adicionais e pode aumentar o risco de efeitos colaterais.


Bloqueadores dos canais de cálcio


Os bloqueadores dos canais de cálcio, como anlodipino, nifedipino e felodipino, impedem que o cálcio entre nas células do músculo liso dos vasos sanguíneos e do coração. Isso faz com que os vasos se relaxem e se dilatem, reduzindo a pressão arterial.


Esses medicamentos são particularmente eficazes, reduzindo a pressão arterial sistólica em aproximadamente 9 a 16 milímetros de mercúrio. O anlodipino é o bloqueador de canal de cálcio mais comumente prescrito devido à sua eficácia e conveniência de uma dose única diária.


O efeito colateral mais comum é o inchaço nos tornozelos e pés, que ocorre porque os vasos sanguíneos se dilatam. Esse inchaço geralmente é leve e não indica um problema cardíaco ou renal. Outros efeitos colaterais podem incluir dor de cabeça, rubor facial e, raramente, crescimento das gengivas.


Comparando a eficácia: qual é realmente o melhor?


Quando comparamos essas quatro classes de medicamentos, as diferenças em termos de redução da pressão arterial são relativamente pequenas. Todos são eficazes e podem reduzir significativamente o risco de complicações cardiovasculares e a melhor estratégia é o uso combinado de doses baixas de duas ou três drogas.


Uma análise abrangente de 484 estudos envolvendo mais de 104.000 participantes mostrou que, em dose padrão, a monoterapia (uso de um único medicamento) reduz a pressão arterial sistólica em média 8,7 milímetros de mercúrio. Cada redução de 10 milímetros de mercúrio na pressão arterial sistólica diminui o risco de eventos cardiovasculares em aproximadamente 20 a 30%.


Medicamentos de segunda linha


Além das quatro classes principais, existem outros medicamentos que podem ser usados em situações específicas ou quando os medicamentos de primeira linha não são suficientes.


Os betabloqueadores, como metoprolol, carvedilol e atenolol e nebivolol, reduzem a frequência cardíaca e a força de contração do coração, diminuindo a pressão arterial. Embora sejam eficazes, não são mais recomendados como primeira escolha para a maioria das pessoas com pressão alta, pois estudos mostraram que são menos eficazes na prevenção de derrames em comparação com as outras classes. No entanto, são medicamentos de primeira linha para pessoas que tiveram infarto ou que têm insuficiência cardíaca.


Os antagonistas dos receptores mineralocorticoides, como espironolactona e eplerenona, são diuréticos especiais que bloqueiam a ação da aldosterona, um hormônio que retém sal e água. São particularmente eficazes em casos de hipertensão resistente, quando a pressão não se controla adequadamente com três ou mais medicamentos.


Quando usar combinações de medicamentos


Para muitas pessoas, um único medicamento não é suficiente para controlar adequadamente a pressão arterial. Na verdade, a maioria das pessoas com hipertensão precisa de dois ou mais medicamentos para atingir as metas de pressão arterial.


As combinações mais eficazes geralmente incluem medicamentos de classes diferentes que funcionam por mecanismos complementares. Por exemplo, combinar um diurético com um IECA ou BRA, ou combinar um bloqueador de canal de cálcio com um IECA ou BRA.


Estudos mostram que combinações de dois medicamentos em dose padrão reduzem a pressão arterial sistólica em aproximadamente 15 milímetros de mercúrio, significativamente mais do que a monoterapia. Combinações de três medicamentos podem reduzir a pressão em 20 milímetros de mercúrio ou mais.


Muitos medicamentos estão disponíveis em comprimidos de combinação fixa, que contêm dois ou até três medicamentos diferentes em um único comprimido. Essas combinações fixas podem melhorar a adesão ao tratamento, pois é mais fácil tomar um comprimido do que vários.


O papel fundamental das mudanças no estilo de vida


Embora este guia se concentre nos medicamentos, é crucial entender que as mudanças no estilo de vida são a base do tratamento da pressão alta. Na verdade, para pessoas com pressão arterial levemente elevada e baixo risco cardiovascular, as mudanças no estilo de vida podem ser suficientes para controlar a pressão sem necessidade de medicamentos.


As principais mudanças incluem perda de peso se você estiver acima do peso, redução do consumo de sal, aumento do consumo de potássio através de frutas e vegetais, atividade física regular, moderação no consumo de álcool e parar de fumar.


A dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension), rica em frutas, vegetais, grãos integrais e laticínios com baixo teor de gordura, pode reduzir a pressão arterial sistólica em 8 a 14 milímetros de mercúrio. A redução do sódio pode diminuir a pressão em 5 a 6 milímetros de mercúrio. A perda de peso pode reduzir a pressão em aproximadamente 1 milímetro de mercúrio para cada quilo perdido.


Importante: as mudanças no estilo de vida não substituem os medicamentos quando estes são necessários, mas potencializam seus efeitos. Muitas pessoas conseguem reduzir o número ou a dose dos medicamentos ao adotar hábitos mais saudáveis.


Metas de pressão arterial


As metas de pressão arterial variam dependendo da idade e das condições de saúde. Para a maioria dos adultos a meta é manter a pressão arterial abaixo de 130/80 milímetros de mercúrio. Para adultos com 65 anos ou mais, a meta pode ser individualizada, assim como para pessoas com múltiplas condições de saúde, fragilidade ou risco de quedas, metas menos rigorosas podem ser mais apropriadas para evitar efeitos colaterais como tonturas e quedas.


O que esperar ao iniciar o tratamento


Quando você inicia um medicamento para pressão alta, é importante ter expectativas realistas. A maioria dos medicamentos leva de 2 a 4 semanas para atingir seu efeito máximo. Seu médico provavelmente começará com uma dose baixa e aumentará gradualmente conforme necessário.


É comum precisar de ajustes na medicação durante os primeiros meses de tratamento. Isso não significa que o tratamento está falando, mas sim que seu médico está trabalhando para encontrar a combinação ideal para você.


Alguns efeitos colaterais, como tonturas leves ou fadiga, podem ocorrer no início do tratamento, mas geralmente melhoram com o tempo à medida que seu corpo se adapta. Se os efeitos colaterais forem incômodos ou persistentes, converse com seu médico. Existem muitas opções de medicamentos, e quase sempre é possível encontrar uma alternativa que você tolere bem.


A importância da adesão ao tratamento


A pressão alta é uma condição crônica que geralmente não causa sintomas. Isso pode tornar difícil lembrar de tomar os medicamentos todos os dias, especialmente quando você se sente bem. No entanto, a adesão ao tratamento é fundamental.


Estudos mostram que apenas 44% dos adultos com pressão alta nos Estados Unidos têm sua pressão controlada. Uma das principais razões para esse controle inadequado é a falta de adesão aos medicamentos.


Mesmo quando você não sente sintomas, a pressão alta está silenciosamente danificando seus vasos sanguíneos, coração, rins e cérebro. Tomar seus medicamentos conforme prescrito protege esses órgãos vitais e reduz significativamente seu risco de infarto, derrame e outras complicações graves.


Monitoramento em casa


Medir sua pressão arterial em casa é uma ferramenta valiosa para avaliar a eficácia do tratamento. As medições domiciliares geralmente fornecem uma imagem mais precisa da sua pressão arterial do que as medições ocasionais no consultório médico, onde a pressão pode estar artificialmente elevada devido à ansiedade.


Se você medir sua pressão em casa, faça-o no mesmo horário todos os dias, de preferência pela manhã antes de tomar seus medicamentos e à noite antes do jantar. Sente-se quieto por 5 minutos antes de medir, mantenha os pés apoiados no chão e o braço na altura do coração. Registre suas medições e compartilhe-as com seu médico.


Situações especiais


Algumas situações requerem considerações especiais na escolha dos medicamentos:


Se você tem diabetes ou doença renal crônica, os IECAs ou BRAs são geralmente preferidos porque protegem os rins e retardam a progressão da doença renal.


Se você teve um infarto ou tem insuficiência cardíaca, betabloqueadores e IECAs ou BRAs são recomendados como parte do tratamento padrão.


Se você está grávida ou planejando engravidar, IECAs e BRAs são contraindicados. Medicamentos seguros durante a gravidez incluem metildopa, labetalol e nifedipino.


Hipertensão resistente


Algumas pessoas têm hipertensão resistente, definida como pressão arterial que permanece acima da meta apesar do uso de três ou mais medicamentos anti-hipertensivos de classes diferentes, incluindo um diurético. Nesses casos, investigações adicionais podem ser necessárias para identificar causas secundárias de hipertensão.


A adição de espironolactona como quarto medicamento é frequentemente eficaz em casos de hipertensão resistente. Outras opções incluem ajustar as doses dos medicamentos existentes, verificar a adesão ao tratamento e intensificar as mudanças no estilo de vida.


Conclusão: trabalhando com seu médico


Não existe um único "melhor" remédio para pressão alta que funcione para todos. Os diuréticos tiazídicos, IECAs, BRAs e bloqueadores dos canais de cálcio são todos igualmente recomendados como opções de primeira linha, com diferenças sutis em eficácia e efeitos colaterais.


A escolha do medicamento mais adequado para você depende de vários fatores individuais, incluindo seus níveis de pressão arterial, outras condições de saúde, possíveis interações medicamentosas e sua tolerância aos efeitos colaterais.


O mais importante é trabalhar em parceria com seu médico para encontrar o tratamento que melhor funciona para você, tomar seus medicamentos conforme prescrito, adotar mudanças saudáveis no estilo de vida e monitorar regularmente sua pressão arterial.


Com o tratamento adequado, a grande maioria das pessoas com pressão alta pode alcançar um controle excelente e reduzir significativamente o risco de complicações cardiovasculares graves. A pressão alta é uma condição tratável, e o investimento no seu controle é um dos passos mais importantes que você pode dar para proteger sua saúde a longo prazo.






Referências 


1. Treatment of Hypertension: A Review. Carey RM, Moran AE, Whelton PK. JAMA. 2022;328(18):1849-1861. doi:10.1001/jama.2022.19590.


2. Arterial Hypertension. Brouwers S, Sudano I, Kokubo Y, Sulaica EM. Lancet (London, England). 2021;398(10296):249-261. doi:10.1016/S0140-6736(21)00221-X.


3. Comprehensive Comparative Effectiveness and Safety of First-Line Antihypertensive Drug Classes: A Systematic, Multinational, Large-Scale Analysis. Suchard MA, Schuemie MJ, Krumholz HM, et al. Lancet (London, England). 2019;394(10211):1816-1826. doi:10.1016/S0140-6736(19)32317-7.


4. Blood Pressure-Lowering Efficacy of Antihypertensive Drugs and Their Combinations: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomised, Double-Blind, Placebo-Controlled Trials. Wang N, Salam A, Pant R, et al. Lancet (London, England). 2025;406(10506):915-925. doi:10.1016/S0140-6736(25)00991-2.


5.

2025 AHA/ACC/AANP/AAPA/ABC/ACCP/ACPM/AGS/AMA/ASPC/NMA/PCNA/SGIM Guideline for the Prevention, Detection, Evaluation, and Management of High Blood Pressure in Adults: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Joint Committee on Clinical Practice Guidelines. Jones DW, Ferdinand KC, Taler SJ, et al. Journal of the American College of Cardiology. 2025;86(18):1567-1678. doi:10.1016/j.jacc.2025.05.007.


6. Implementation Strategies to Improve Blood Pressure Control in the United States: A Scientific Statement From the American Heart Association and American Medical Association. Abdalla M, Bolen SD, Brettler J, et al. Hypertension (Dallas, Tex. : 1979). 2023;80(10):e143-e157. doi:10.1161/HYP.0000000000000232.


7. Hypertension in Adults: Initial Evaluation and Management. Clarke SL. American Family Physician. 2023;108(4):352-359.

 
 
 

Comentários


​Ênio Panetti

Para receber nossas mais recentes dicas de saúde, assine abaixo

Obrigado por assinar!

© 2026 Ênio Panetti

Redes Sociais

Contato

(21) 3082-7624

WhatsApp

bottom of page