Ataque cardíaco: entenda o que é, como reconhecer, por que acontece e o que fazer
- Equipe Ênio Panetti

- 6 de jan.
- 5 min de leitura

O termo “ataque cardíaco” assusta — e com razão. Quando alguém ouve essa expressão, é comum que o coração bata mais rápido, a mente se encha de dúvidas e, muitas vezes, a pessoa nem saiba exatamente o que isso significa. Mas compreender o que realmente acontece no coração durante um ataque cardíaco (também chamado de infarto agudo do miocárdio) pode fazer toda a diferença entre a vida e a morte.
No Brasil, o infarto é uma das principais causas de morte e internação no sistema de saúde. Estima-se que ocorram entre 300 mil e 400 mil casos de infarto por ano no país, e a cada 5 a 7 casos, pode ocorrer um óbito — números que reforçam a gravidade dessa condição e a importância de reconhecer seus sinais o quanto antes.
Este texto foi criado para que você e sua família entendam, sem termos difíceis, o que é um infarto, como ele se manifesta, o que fazer frente aos sintomas e como é feito o diagnóstico e tratamento.
O que é um ataque cardíaco?
Um ataque cardíaco acontece quando parte do músculo do coração não recebe sangue suficiente. Isso geralmente ocorre porque uma artéria coronária — o vaso que leva sangue e oxigênio ao coração — fica bloqueada por um coágulo que se forma sobre placas de gordura (aterosclerose).
Sem sangue suficiente, aquela área do coração começa a sofrer lesão e pode morrer. Quanto mais tempo o fluxo de sangue fica interrompido, maior a chance de dano permanente ao coração ou até de morte súbita. É uma emergência médica-cada minuto conta.
Por que isso acontece?
O principal motivo por trás de um ataque cardíaco é a doença arterial coronariana: as artérias do coração ficam progressivamente “entupidas” por placas de gordura, células inflamatórias e outros depósitos. Em algum momento, essas placas podem romper e formar um coágulo que bloqueia totalmente o fluxo de sangue.
Vários fatores aumentam o risco de problemas nas artérias coronárias e, consequentemente, de infarto:
– Hipertensão arterial
– Colesterol alto
– Diabetes
– Tabagismo
– Sedentarismo
– Obesidade
– Histórico familiar de doenças cardíacas
– Estresse crônico
Esses fatores atuam silenciosamente, muitas vezes por anos, até que um ataque aconteça.
Sintomas frequentes de ataque cardíaco
O sinal clássico de infarto é uma dor ou desconforto no peito. Mas os sintomas podem variar de pessoa para pessoa — nem sempre é uma dor intensa e esmagadora, e em alguns casos pode até ser confundido com indigestão ou sensação de “aperto”.
Os sintomas mais comuns incluem:
– Dor, aperto ou pressão no centro do peito, que pode durar vários minutos ou ir e voltar
– Dor que irradia para um ou ambos os braços, costas, pescoço, mandíbula ou estômago
– Falta de ar
– Sudorese fria e repentina
– Tontura ou desmaio
– Náusea ou vômitos
– Sensação de ansiedade ou “pânico” inexplicável
É importante lembrar que nem todos sentem dor intensa no peito. Especialmente em mulheres, idosos e pessoas com diabetes, os sintomas podem ser mais sutis: cansaço extremo, falta de ar, desconforto abdominal ou dor nas costas ou mandíbula podem ser os únicos sinais.
Quando procurar uma emergência
Se você ou alguém próximo apresentar sintomas suspeitos de ataque cardíaco, procure imediatamente uma unidade de emergência ou ligue para o serviço de ambulância. No Brasil, o número de emergência médica é o 192 (SAMU).
Nao espere a dor passar ou tente dirigir sozinho ao hospital — cada minuto sem tratamento aumenta o risco de lesão permanente no coração ou de complicações graves.
Se possível, quem estiver com a pessoa suspeita de infarto deve:
Ligar para a ambulância imediatamente
Manter a pessoa calma e sentada ou deitada confortavelmente
Não oferecer comida ou bebida
Se recomendado por um profissional de saúde , e não houver alergia, tomar aspirina (adulto não revestida) pode ajudar a reduzir a formação de coágulos enquanto a ajuda não chega (sempre sob orientação).
Lembre-se: melhor ir ao pronto-atendimento e descobrir que não era infarto do que ignorar os sinais e perder a chance de salvar uma vida.
Como é feito o diagnóstico no hospital
Quando o paciente chega ao serviço de emergência com sintomas sugestivos de infarto, os médicos usam alguns exames para confirmar o diagnóstico e decidir o melhor tratamento.
1. Eletrocardiograma (ECG)
Esse exame simples e rápido mostra a atividade elétrica do coração e pode indicar se existe uma área do coração sem fluxo sanguíneo adequado.
2. Exames de sangue — marcadores cardíacos
O coração lesionado libera substâncias específicas no sangue (como a troponina). A presença elevada desses marcadores confirma que houve dano ao músculo cardíaco.
3. Outros exames do coração
Em muitos casos, os médicos podem solicitar ecocardiograma ou exames de imagem para avaliar melhor as áreas afetadas.
O conjunto desses exames — sinais clínicos, ECG e marcadores — tornam o diagnóstico preciso e permitem que a equipe médica inicie o tratamento certo.
Tratamento do ataque cardíaco
O tratamento do infarto visa restaurar rapidamente o fluxo de sangue para o coração, reduzir o dano ao músculo cardíaco, aliviar sintomas e prevenir complicações.
1. Medidas imediatas no hospital
Logo na primeira avaliação, os profissionais podem administrar:
– Medicamentos que dissolvem coágulos (trombolíticos)
– Anti-plateletários e anticoagulantes (para barrar a formação de novos coágulos)
– Medicamentos para dor, ansiedade e alívio do coração
O objetivo nessa fase é estabilizar o paciente e abrir o vaso bloqueado o mais rápido possível.
2. Intervenção coronariana percutânea (angioplastia)
Esse é um procedimento em que um cateter com um balão é usado para abrir a artéria bloqueada. Frequentemente, um stent (um pequeno “suporte metálico”) é colocado para manter o vaso aberto.
Quanto mais cedo essa intervenção for feita, melhor o prognóstico. Por isso a rapidez no atendimento é crucial.
3. Cirurgia de revascularização (bypass)
Em casos mais complexos, pode ser necessário um procedimento cirúrgico para criar um novo caminho para o sangue fluir ao redor das artérias bloqueadas.
4. Tratamento preventivo após alta
Depois que o paciente melhora da fase aguda, o foco muda para prevenir um novo infarto. Isso inclui:
– Medicamentos para controlar pressão, colesterol e açúcar no sangue
– Anticoagulantes ou anti-plaquetários conforme indicação médica
– Mudanças no estilo de vida
– Reabilitação cardíaca
O tratamento contínuo é essencial para reduzir o risco de um novo evento no futuro.
O papel das mudanças no estilo de vida
O ataque cardíaco é uma condição que, muitas vezes, pode estar ligado ao estilo de vida ao longo dos anos. Por isso, após a fase aguda e com orientação médica, mudanças duradouras são fundamentais:
– Alimentação saudável (rica em frutas, vegetais, fibras e com menos gordura saturada e açúcar)
– Controle da pressão arterial e do colesterol
– Atividade física regular
– Parar de fumar
– Redução do estresse
– Controle do diabetes
Essas medidas não apenas ajudam a prevenir um novo ataque, mas também melhoram a qualidade de vida de quem já teve um infarto.
Viver depois de um ataque cardíaco
Muita gente acha que um infarto significa “vida acabada”. Nada disso. Com tratamento adequado, mudanças no estilo de vida e acompanhamento regular, é possível viver bem por muitos anos.
A reabilitação cardíaca, por exemplo, combina educação, exercício supervisionado e apoio emocional — e ajuda o coração a se recuperar mais forte.
Estar atento aos sinais do corpo e seguir o plano terapêutico faz toda a diferença.
Uma mensagem final
Um ataque cardíaco pode acontecer em qualquer pessoa — e em qualquer idade — especialmente se houver fatores de risco acumulados. Mas quanto mais rápido a pessoa ou a família reconhece os sinais e busca atendimento, maior a chance de sobrevivência e de recuperação completa.
Entender o que é um infarto, reconhecer seus sintomas e saber quando agir pode salvar vidas. Informação nunca é demais quando se trata de coração.
Para agendar sua consulta com o Dr. Enio Panetti, entre em contato através do WhatsApp:
Ênio Panetti - CRM 52.56781-1



Comentários