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Diuréticos para pressão alta: uma jornada de mais de 60 Anos

diurético para pressão alta

Quando pensamos em medicamentos para pressão alta, os diuréticos podem não parecer os mais modernos ou sofisticados. No entanto, esses medicamentos têm uma história fascinante que atravessa mais de seis décadas de pesquisa médica e continuam sendo fundamentais no tratamento da hipertensão arterial até os dias de hoje.


Os primórdios: a descoberta que mudou a cardiologia


A história dos diuréticos para hipertensão começa na década de 1950, quando cientistas descobriram que medicamentos capazes de aumentar a eliminação de sal e água pelos rins poderiam também reduzir a pressão arterial. Essa descoberta foi revolucionária porque, pela primeira vez, havia uma classe de medicamentos que não apenas tratava os sintomas, mas efetivamente reduzia os números da pressão.


Os primeiros diuréticos tiazídicos foram desenvolvidos no final dos anos 1950. O termo "tiazídico" vem da estrutura química desses compostos, que contêm um anel benzotiadiazínico. Esses medicamentos agem principalmente em uma parte específica do rim chamada túbulo distal, onde bloqueiam a reabsorção de sódio, fazendo com que mais sal e água sejam eliminados pela urina.


As décadas de 60 e 70: provando o valor


Foi nas décadas de 1960 e 1970 que os diuréticos realmente provaram seu valor através de estudos científicos rigorosos. Os famosos estudos da Administração de Veteranos (Veterans Administration studies) foram pioneiros em demonstrar que o tratamento da pressão alta com diuréticos não apenas reduzia os números no aparelho de pressão, mas, mais importante ainda, prevenia complicações graves como derrames e problemas cardíacos.


Esses estudos iniciais foram fundamentais porque estabeleceram um princípio que parece óbvio hoje, mas que era revolucionário na época: tratar a pressão alta salva vidas. Antes disso, muitos médicos questionavam se valia a pena tratar pessoas que tinham pressão alta mas se sentiam bem. Os estudos com diuréticos mostraram de forma inequívoca que sim, o tratamento fazia diferença.


Durante esse período, a hidroclorotiazida emergiu como o diurético mais popular. Sua facilidade de uso, com apenas uma dose diária, e seu perfil de segurança relativamente favorável fizeram dela a escolha preferida de muitos médicos. Milhões de pessoas ao redor do mundo começaram a tomar esse medicamento, e muitas continuam até hoje.


Os Anos 80: refinando o conhecimento

Na década de 1980, os pesquisadores começaram a entender melhor as diferenças entre os diversos tipos de diuréticos. Descobriu-se que nem todos os diuréticos tiazídicos eram exatamente iguais. Alguns, como a clortalidona e a indapamida, apesar de agirem de forma semelhante, não tinham exatamente a mesma estrutura química da hidroclorotiazida. Por isso, passaram a ser chamados de diuréticos "tipo tiazídico" ou "tiazídicos-like".


Essas diferenças químicas se traduziram em diferenças práticas importantes. A clortalidona e a indapamida têm uma duração de ação mais longa no organismo, o que significa que seu efeito sobre a pressão arterial dura mais tempo. Essa característica aparentemente simples teria implicações importantes nos estudos das décadas seguintes.


Durante os anos 80, também surgiram preocupações sobre os efeitos metabólicos dos diuréticos. Observou-se que esses medicamentos podiam aumentar os níveis de açúcar no sangue, ácido úrico e colesterol, além de reduzir o potássio. Essas descobertas levaram a debates acalorados sobre se os benefícios dos diuréticos superavam esses potenciais riscos.


Os Anos 90: novos competidores entram em cena

A década de 1990 trouxe uma explosão de novos medicamentos para pressão alta. Surgiram os inibidores da ECA, os bloqueadores dos canais de cálcio de nova geração e os bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRAs). Esses medicamentos eram promovidos como mais modernos, com menos efeitos colaterais e potencialmente mais eficazes que os "velhos" diuréticos.


Muitos médicos começaram a questionar se os diuréticos ainda deveriam ser considerados medicamentos de primeira linha para hipertensão. Afinal, se havia opções mais novas e aparentemente melhores, por que continuar usando uma classe de medicamentos desenvolvida décadas antes?


Foi nesse contexto que surgiu um dos estudos mais importantes da história da cardiologia: o SHEP (Systolic Hypertension in the Elderly Program), publicado em 1991. Este estudo focou especificamente em pessoas idosas com pressão sistólica elevada (o número de cima da pressão) e demonstrou que o tratamento com clortalidona reduzia significativamente derrames e outros eventos cardiovasculares. O SHEP foi crucial porque mostrou que tratar a pressão alta em idosos era benéfico, algo que não era universalmente aceito na época.


O novo milênio: o estudo ALLHAT Muda o Jogo

O ano de 2002 marcou um ponto de virada na história dos diuréticos com a publicação do estudo ALLHAT (Antihypertensive and Lipid-Lowering Treatment to Prevent Heart Attack Trial). Este foi um dos maiores estudos já realizados sobre tratamento da hipertensão, envolvendo mais de 33.000 participantes, incluindo mais de 7.000 veteranos de guerra americanos.


O ALLHAT comparou diretamente a clortalidona com medicamentos mais novos: o inibidor da ECA lisinopril e o bloqueador de canal de cálcio anlodipino. Os resultados surpreenderam muitos: a clortalidona foi pelo menos tão eficaz quanto os medicamentos mais novos em prevenir ataques cardíacos e, em alguns aspectos, foi até superior, especialmente na prevenção de insuficiência cardíaca.


Esse estudo reafirmou o papel dos diuréticos como medicamentos de primeira linha para hipertensão. Mais do que isso, levantou questões importantes sobre por que um medicamento mais antigo e muito mais barato poderia ser tão eficaz quanto opções mais caras e modernas.


A Década de 2000: entendendo as diferenças dentro da classe

Após o ALLHAT, os pesquisadores começaram a investigar mais profundamente as diferenças entre os diversos diuréticos tiazídicos. Descobriu-se que a hidroclorotiazida, apesar de ser o diurético mais prescrito, poderia ser menos potente que a clortalidona e a indapamida.


Estudos mostraram que a hidroclorotiazida reduzia a pressão arterial cerca de 4 a 6 pontos a menos na pressão sistólica quando comparada à clortalidona em medições de 24 horas. Essa diferença pode parecer pequena, mas em termos de prevenção de eventos cardiovasculares, pode ser significativa.


O estudo HYVET (Hypertension in the Very Elderly Trial), publicado em 2008, foi outro marco importante. Ele demonstrou que tratar hipertensão em pessoas muito idosas (com 80 anos ou mais) com indapamida reduzia derrames, insuficiência cardíaca e mortalidade. Antes desse estudo, havia incerteza sobre se tratar pressão alta em pessoas muito idosas era benéfico ou poderia até ser prejudicial.


A controvérsia do diabetes

Uma preocupação que persistiu ao longo dos anos foi o potencial dos diuréticos tiazídicos de aumentar o risco de diabetes. Observou-se que esses medicamentos podiam elevar os níveis de glicose no sangue e, em alguns casos, precipitar o desenvolvimento de diabetes em pessoas predispostas.

Isso gerou debates intensos: será que o aumento do risco de diabetes anularia os benefícios cardiovasculares dos diuréticos? Estudos de longo prazo foram necessários para responder essa questão. Felizmente, as evidências mostraram que, mesmo considerando o risco aumentado de diabetes, os benefícios cardiovasculares dos diuréticos superavam esse risco. O diabetes induzido por diuréticos parecia não ter o mesmo impacto negativo a longo prazo que o diabetes que se desenvolve naturalmente.


A Década de 2010: combinações e personalização

Os anos 2010 trouxeram uma mudança de paradigma no tratamento da hipertensão: o reconhecimento de que a maioria das pessoas precisa de mais de um medicamento para controlar adequadamente a pressão arterial. Isso levou ao desenvolvimento de comprimidos que combinam múltiplos medicamentos em uma única pílula.


Os diuréticos tornaram-se componentes essenciais dessas combinações. Descobriu-se que eles não apenas reduzem a pressão por si mesmos, mas também potencializam o efeito de outras classes de medicamentos. Por exemplo, quando combinados com inibidores da ECA ou BRAs, os diuréticos ajudam a prevenir a retenção de sal e água que pode ocorrer com esses medicamentos.


O estudo ACCOMPLISH, publicado em 2008, comparou uma combinação de inibidor da ECA com bloqueador de canal de cálcio versus inibidor da ECA com diurético tiazídico. Surpreendentemente, a combinação com bloqueador de canal de cálcio mostrou-se superior em alguns desfechos. Isso demonstrou que, embora os diuréticos sejam excelentes medicamentos, não são necessariamente a melhor escolha para todas as combinações em todos os pacientes.


Diuréticos poupadores de potássio: uma redescoberta


Enquanto os diuréticos tiazídicos dominavam as manchetes, outra classe de diuréticos estava sendo redescoberta: os diuréticos poupadores de potássio, particularmente a espironolactona e a eplerenona. Esses medicamentos agem bloqueando a ação da aldosterona, um hormônio que promove a retenção de sal e água.


Descobriu-se que adicionar pequenas doses de espironolactona ao tratamento de pessoas com hipertensão resistente (aquela que não responde a múltiplos medicamentos) era extremamente eficaz. Além disso, esses medicamentos mostraram benefícios adicionais, como redução de proteína na urina em pessoas com doença renal e melhora da função dos vasos sanguíneos.


A proporção de potência entre esses medicamentos também foi melhor estabelecida: aproximadamente 25 mg de espironolactona equivalem a 10 mg de amilorida ou 100 mg de eplerenona. Essa informação é importante quando a espironolactona não é bem tolerada e é necessário trocar por outra opção.


A era atual: diretrizes e recomendações baseadas em evidências


Hoje, mais de 60 anos após sua introdução, os diuréticos tiazídicos mantêm sua importância no tratamento da hipertensão. Todas as principais diretrizes internacionais e nacionais de hipertensão recomendam os diuréticos como uma das opções de primeira linha para o tratamento inicial.


As diretrizes mais recentes, incluindo as do American College of Cardiology e American Heart Association de 2025, fazem distinções importantes entre os diferentes diuréticos. Para pessoas com hipertensão resistente, por exemplo, recomendam trocar a hidroclorotiazida por clortalidona (12,5-25 mg por dia) ou indapamida (1,25-2,5 mg por dia na formulação de liberação imediata ou 1,5 mg por dia na formulação de liberação lenta).


Para pessoas idosas acima de 65 anos, as evidências são particularmente fortes a favor dos diuréticos tipo tiazídico. Meta-análises mostraram que, nessa população, os diuréticos reduzem um desfecho composto que inclui insuficiência cardíaca e derrame de forma mais eficaz que outras opções de tratamento.


Como os diuréticos funcionam: entendendo o mecanismo

Para apreciar plenamente a importância dos diuréticos, é útil entender como eles funcionam. O rim é um órgão extraordinário que filtra o sangue continuamente, removendo resíduos e excesso de líquidos. Durante esse processo, o rim também reabsorve substâncias importantes, incluindo sal (sódio).


Os diuréticos tiazídicos agem bloqueando um transportador específico no túbulo distal do rim, impedindo a reabsorção de sódio. Quando mais sódio é eliminado na urina, a água segue junto (porque a água sempre acompanha o sal). Isso reduz o volume de líquido circulante no corpo, o que, por sua vez, reduz a pressão arterial.


Mas o efeito dos diuréticos vai além da simples eliminação de líquidos. Com o uso prolongado, esses medicamentos também relaxam as paredes dos vasos sanguíneos, um efeito chamado de vasodilatação. Esse mecanismo adicional contribui para a redução sustentada da pressão arterial.


Efeitos colaterais e considerações práticas

Como todos os medicamentos, os diuréticos têm potenciais efeitos colaterais. O mais comum é a redução dos níveis de potássio no sangue (hipocalemia), que pode causar fraqueza muscular, cãibras e, em casos graves, arritmias cardíacas. Por isso, médicos frequentemente monitoram os níveis de potássio em pessoas que tomam diuréticos.

Outros efeitos metabólicos incluem aumento do ácido úrico (que pode precipitar gota em pessoas predispostas), elevação discreta do colesterol e, como mencionado anteriormente, aumento da glicose. No entanto, é importante colocar esses efeitos em perspectiva: eles são geralmente leves e os benefícios cardiovasculares dos diuréticos superam amplamente esses riscos na maioria das pessoas.

Um efeito colateral que incomoda muitas pessoas é o aumento da frequência urinária, especialmente nas primeiras semanas de tratamento. Esse efeito tende a diminuir com o tempo, mas pode ser minimizado tomando o medicamento pela manhã, evitando assim interrupções do sono noturno.

Diuréticos em Populações Especiais

A eficácia dos diuréticos varia em diferentes grupos de pessoas. Eles são particularmente eficazes em pessoas de ascendência africana e em idosos, grupos que tendem a ter hipertensão mais sensível ao sal. Nesses grupos, os diuréticos frequentemente funcionam melhor como monoterapia do que outras classes de medicamentos.

Em pessoas com doença renal crônica, a escolha do diurético depende do grau de função renal. Para aqueles com função renal moderadamente reduzida (taxa de filtração glomerular estimada de 30 mL/min/1,73 m² ou maior), os diuréticos tiazídicos ainda podem ser usados. No entanto, para pessoas com doença renal mais avançada (estágio 4 ou superior), diuréticos de alça como a furosemida podem ser mais apropriados, às vezes em combinação com clortalidona.

As diretrizes KDIGO de 2021 para manejo da pressão arterial em doença renal crônica destacam que a sobrecarga de líquidos é comum nessa população, tornando os diuréticos agentes lógicos para controle da pressão. As evidências favorecem clortalidona e indapamida sobre hidroclorotiazida, embora essa recomendação continue sendo debatida.

O Paradoxo da Subutilização

Apesar de todas as evidências favoráveis e de serem medicamentos baratos e amplamente disponíveis, os diuréticos permanecem subutilizados. Estudos mostram que apenas cerca de um terço das pessoas com hipertensão recebem diuréticos como parte de seu tratamento.

Várias razões explicam essa subutilização. Primeiro, há a percepção de que medicamentos mais novos são necessariamente melhores. Segundo, os efeitos colaterais metabólicos, embora geralmente leves, preocupam alguns médicos. Terceiro, a disponibilidade limitada de formulações convenientes de clortalidona e indapamida em alguns países favorece o uso de hidroclorotiazida, que pode ser menos eficaz.


Há também questões práticas. Muitos pacientes preferem evitar o inconveniente do aumento da frequência urinária, especialmente se trabalham em ambientes onde o acesso ao banheiro é limitado. Além disso, a necessidade de monitoramento periódico dos eletrólitos pode ser vista como um inconveniente adicional.


Diuréticos e Hipertensão Resistente

Um dos papéis mais importantes dos diuréticos na prática moderna é no tratamento da hipertensão resistente - aquela que não responde adequadamente a três ou mais medicamentos, incluindo um diurético. Paradoxalmente, muitos casos de hipertensão "resistente" são na verdade casos de uso inadequado de diuréticos.


Trocar hidroclorotiazida por clortalidona ou indapamida, ou adicionar um diurético poupador de potássio como a espironolactona, frequentemente resulta em melhor controle da pressão. Uma meta-análise de 14 estudos randomizados incluindo 883 pacientes com pressão sistólica de 140 mmHg ou maior mostrou que, comparada à hidroclorotiazida, a indapamida reduziu a pressão sistólica em média 5,1 mmHg a mais, e a clortalidona em 3,6 mmHg a mais.


Controvérsias Recentes: A Questão do Câncer

Em anos recentes, surgiu uma preocupação sobre uma possível associação entre o uso de hidroclorotiazida e aumento do risco de certos tipos de câncer de pele, particularmente carcinoma de células escamosas e melanoma. Estudos observacionais, principalmente da Dinamarca, sugeriram essa associação, possivelmente relacionada ao efeito fotossensibilizante do medicamento.


Essa descoberta gerou debates sobre se os diuréticos deveriam ser excluídos como primeira linha de tratamento. No entanto, análises atualizadas não forneceram evidências suficientes para justificar essa exclusão. As diretrizes continuam recomendando diuréticos, mas alguns especialistas sugerem que pessoas com alto risco de câncer de pele ou com história prévia da doença possam se beneficiar de escolher outros diuréticos ou outras classes de medicamentos.


O Futuro dos diuréticos

Olhando para o futuro, os diuréticos continuarão desempenhando um papel central no tratamento da hipertensão. Pesquisas em andamento estão investigando se há diferenças reais em desfechos cardiovasculares entre hidroclorotiazida e clortalidona, uma questão que permanece não totalmente resolvida apesar de décadas de uso.


Há também interesse crescente em entender melhor os efeitos pleiotrópicos dos diuréticos - ou seja, efeitos além da simples redução da pressão arterial. Por exemplo, alguns estudos sugerem que diferentes diuréticos podem ter efeitos distintos sobre a função endotelial (o revestimento interno dos vasos sanguíneos), inflamação e outros processos biológicos relevantes para a saúde cardiovascular.


A farmacogenômica - o estudo de como os genes afetam a resposta aos medicamentos - pode eventualmente permitir personalizar a escolha do diurético com base no perfil genético individual. Algumas pessoas podem metabolizar certos diuréticos mais rapidamente ou lentamente, ou podem ser mais suscetíveis a certos efeitos colaterais, e testes genéticos poderiam ajudar a identificar o melhor medicamento para cada pessoa.


Combinações de pílula única: simplificando o tratamento


Uma das tendências mais importantes na terapia anti-hipertensiva moderna é o uso de combinações de pílula única - comprimidos que contêm dois ou mais medicamentos. Os diuréticos são componentes essenciais de muitas dessas combinações.


Estudos mostram que combinações de pílula única melhoram a adesão ao tratamento (as pessoas são mais propensas a tomar seus medicamentos regularmente quando precisam tomar menos comprimidos) e aceleram o processo de atingir a meta de pressão arterial. Combinações comuns incluem diurético com inibidor da ECA, diurético com BRA, ou até combinações triplas que incluem um diurético, um inibidor do sistema renina-angiotensina e um bloqueador de canal de cálcio.


Lições aprendidas: o que seis décadas nos ensinaram


A jornada de mais de 60 anos dos diuréticos no tratamento da hipertensão nos ensinou várias lições valiosas. Primeira, que medicamentos antigos não são necessariamente inferiores a medicamentos novos. Segunda, que o preço de um medicamento não reflete necessariamente sua eficácia. Terceira, que detalhes aparentemente pequenos - como a duração de ação de um medicamento - podem ter implicações clínicas importantes.


Talvez a lição mais importante seja a necessidade de estudos clínicos rigorosos e de longo prazo. Sem os grandes estudos como ALLHAT, SHEP e HYVET, não teríamos a confiança que temos hoje no uso de diuréticos. Esses estudos custaram milhões de dólares e levaram anos para serem concluídos, mas forneceram evidências sólidas que salvaram incontáveis vidas.


Conclusão: um legado duradouro

Os diuréticos tiazídicos e tipo tiazídico representam uma das histórias de sucesso mais notáveis da medicina moderna. Desenvolvidos há mais de 60 anos, esses medicamentos continuam sendo pilares fundamentais no tratamento da hipertensão, respaldados por décadas de evidências científicas robustas.


Eles demonstram que, em medicina, nem sempre o mais novo é o melhor. Às vezes, medicamentos testados pelo tempo, com perfis de segurança bem estabelecidos e eficácia comprovada em prevenir eventos cardiovasculares, são exatamente o que os pacientes precisam.


Para muitas pessoas com hipertensão, um diurético é um componente indispensável de seu regime de tratamento para alcançar controle adequado da pressão arterial. Seja usado sozinho ou em combinação com outros medicamentos, os diuréticos continuam salvando vidas ao prevenir derrames, ataques cardíacos e insuficiência cardíaca.


A história dos diuréticos também nos lembra da importância da pesquisa médica contínua. Cada década trouxe novos insights sobre como usar esses medicamentos de forma mais eficaz, quais pacientes se beneficiam mais, e como minimizar efeitos colaterais. Essa evolução do conhecimento continua até hoje e certamente continuará no futuro.


Enquanto a medicina avança e novos tratamentos para hipertensão são desenvolvidos, os diuréticos permanecem como um testemunho do poder da ciência médica rigorosa e da importância de não descartar tratamentos estabelecidos em favor de novidades não comprovadas. Sua história é uma lembrança de que, em medicina, o que importa não é a idade do tratamento, mas a solidez das evidências que o sustentam.


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Escrito por: Ênio Panetti Usiglio CRM 52 56781-1, médico especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (RQE 24185), membro da Sociedade Brasileira de Hipertensão Arterial.



 
 
 

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