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Tipos de obesidade e saúde: IMC, circunferência abdominal e metabolismo

tipos de obesidade

Quando alguém fala “obesidade”, muita gente imagina que existe um único tipo: “estar acima do peso”. Mas a realidade é bem diferente. Obesidade não é uma coisa só — e entender os tipos de obesidade ajuda a explicar por que duas pessoas com o mesmo peso podem ter riscos de saúde completamente diferentes, sintomas distintos e respostas diferentes a dieta, exercício e medicamentos.

Neste texto, vou explicar de forma fácil quais são os principais tipos e classificações de obesidade usados na medicina, o que cada um significa e como isso influencia o cuidado. A ideia aqui não é “rotular” ninguém, e sim entender o corpo com mais precisão, para buscar um tratamento mais inteligente e realista.



O que é obesidade, afinal?

A obesidade é uma doença crônica caracterizada por excesso de gordura corporal que aumenta o risco de problemas como diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol alto, apneia do sono, esteatose hepática (gordura no fígado), infarto e AVC, entre outros.

Mas aqui vem um ponto essencial: nem sempre dá para medir obesidade apenas pelo peso. Por isso, os profissionais usam diferentes formas de classificar:

  • pelo IMC

  • pela distribuição da gordura (especialmente barriga)

  • pela presença ou não de alterações metabólicas

  • pela quantidade de músculo

  • pela causa provável (genética, hormonal, comportamental, medicamentos etc.)

  • pelo grau de impacto na saúde e na vida diária

Ou seja: existem vários tipos de obesidade — e isso é ótimo, porque permite um plano mais personalizado.



1) Obesidade pelo IMC (a classificação mais conhecida)

O IMC (Índice de Massa Corporal) é calculado por:

IMC = peso (kg) / altura² (m²)

Ele não é perfeito, mas é uma forma simples e útil de triagem. Em adultos, a classificação mais comum é:

  • Sobrepeso: IMC 25 a 29,9

  • Obesidade grau 1: IMC 30 a 34,9

  • Obesidade grau 2: IMC 35 a 39,9

  • Obesidade grau 3 (obesidade grave): IMC ≥ 40

Vantagem: rápido, prático e ajuda a estimar risco populacional.

Limitação: não diferencia gordura de músculo e não mostra onde a gordura está.

Por isso, hoje a medicina complementa o IMC com outras medidas, principalmente a gordura abdominal.



2) Obesidade central (abdominal) vs. obesidade periférica

Esse é um dos pontos mais importantes quando se fala em risco à saúde.

Obesidade central (barriga)

É quando a gordura se concentra no abdômen, especialmente a gordura visceral (por dentro, ao redor dos órgãos). Ela é a mais ligada a:

  • resistência à insulina

  • diabetes tipo 2

  • hipertensão

  • aumento de triglicerídeos

  • queda do HDL (“colesterol bom”)

  • inflamação crônica

  • maior risco cardiovascular

A medida prática é a circunferência abdominal. Valores elevados costumam indicar maior risco metabólico.

Obesidade periférica (quadril e pernas)

É quando a gordura se acumula mais em glúteos, quadris e coxas. Em geral, tem menor risco metabólico do que a obesidade abdominal. Não significa que não traga impacto na saúde, mas o padrão central é o que mais preocupa para coração e metabolismo.

Uma forma visual clássica é:

  • Formato “maçã” = mais barriga (maior risco)

  • Formato “pera” = mais quadril e coxa (menor risco metabólico)



3) Obesidade visceral vs. obesidade subcutânea

Aqui entramos no “tipo” de gordura:

Gordura subcutânea

É a gordura que fica logo abaixo da pele.

Ela influencia estética e medidas corporais, mas costuma ser menos perigosa do que a visceral.

Gordura visceral

É a gordura “interna”, dentro do abdômen, associada ao aumento de risco cardiometabólico.

É aquela que o corpo “enxerga” como mais inflamatória.

Muita gente tem peso “nem tão alto”, mas com bastante gordura visceral. É por isso que você pode conhecer alguém “aparentemente magro”, mas com gordura no fígado, pré-diabetes e pressão alta.



4) Obesidade metabolicamente saudável (MHO) vs. metabolicamente não saudável

Esse tema é super comum: “Doutor, eu estou bem acima do peso e meus exames são normais”.

De forma simplificada, existe um conceito chamado:

Obesidade metabolicamente saudável (MHO)

É quando a pessoa tem obesidade, mas sem alterações claras como diabetes, pressão alta e dislipidemia naquele momento.

Isso pode acontecer, principalmente em pessoas com:

  • mais gordura subcutânea do que visceral

  • boa aptidão cardiorrespiratória

  • menos inflamação metabólica

  • mais massa muscular

Mas atenção: “saudável” aqui não significa “sem risco”.

Muitas pessoas com MHO podem evoluir com o tempo para um perfil metabolicamente não saudável, especialmente se a gordura abdominal aumentar.

Obesidade metabolicamente não saudável

É a obesidade associada a alterações como:

  • glicose alta ou diabetes

  • pressão alta

  • triglicerídeos altos

  • HDL baixo

  • gordura no fígado

  • apneia do sono

  • síndrome metabólica

Esse grupo tem risco cardiovascular muito mais elevado e geralmente precisa de uma abordagem mais intensiva.



5) Obesidade sarcopênica (gordura alta + músculo baixo)

A obesidade sarcopênica é uma das mais ignoradas, mas muito importante, especialmente em:

  • pessoas acima dos 50–60 anos

  • pessoas que fizeram dietas repetidas com grande perda de peso

  • quem perdeu massa muscular por sedentarismo

  • quem usa certos medicamentos

  • pós-cirurgias e doenças crônicas

Aqui o corpo tem excesso de gordura, mas ao mesmo tempo tem pouca massa muscular, o que piora:

  • metabolismo

  • força e funcionalidade

  • risco de quedas

  • resistência à insulina

  • capacidade de manter o peso perdido

Esse tipo de obesidade pode enganar na balança: a pessoa até emagrece, mas fica “sem estrutura”, com cansaço, fraqueza e maior tendência ao reganho de peso.

Por isso, o tratamento não pode ser só “comer menos”: precisa incluir proteína adequada e treino de força.



6) Obesidade por causas hormonais (endócrinas)

Muita gente pergunta: “Obesidade pode ser hormonal?”

Pode, mas é importante ser realista: a maioria dos casos não é causada exclusivamente por hormônios. Mesmo assim, algumas condições podem contribuir para ganho de peso ou dificultar o emagrecimento, como:

  • hipotireoidismo (geralmente causa ganho modesto, porém mais por acúmulo de líquidos que gordura)

  • síndrome de Cushing (mais rara, mas pode causar obesidade central e fraqueza muscular). Causa: elevação do cortisol

  • SOP (síndrome dos ovários policísticos) (associada a resistência à insulina)

  • hipogonadismo (em alguns casos)Quando existe suspeita clínica, vale investigar com seu médico. O ponto principal é: tratar a causa ajuda, mas quase sempre ainda será preciso atuar em hábitos, sono, atividade física e, em alguns casos, medicação.



7) Obesidade induzida por medicamentos

Esse é um tipo de obesidade que muitas pessoas sofrem sem perceber que há um gatilho importante. Alguns medicamentos podem favorecer ganho de peso, como:

  • alguns antidepressivos

  • alguns antipsicóticos

  • corticoides (uso prolongado)

  • certas medicações para epilepsia

  • alguns tratamentos hormonais

Isso não significa que a pessoa deva parar por conta própria. Mas significa que o tratamento precisa ser estratégico: às vezes dá para ajustar doses, trocar por alternativas ou compensar com condutas específicas.



8) Obesidade genética e obesidade “ambiental” (multifatorial)

A obesidade tem um componente genético muito forte. Algumas pessoas têm maior predisposição para:

  • sentir mais fome

  • ter menos saciedade

  • ter maior recompensa cerebral por comida

  • ganhar peso com mais facilidade

  • defender o peso mais alto após emagrecer (o corpo luta para recuperar)

Mas genética não é destino. O que acontece é que vivemos num ambiente altamente “obesogênico”:

  • comida ultraprocessada disponível o tempo todo

  • sono ruim

  • estresse crônico

  • pouco movimento no dia a dia

  • telas e sedentarismo

  • rotina corrida

Quando genética + ambiente se somam, o risco aumenta bastante. E isso também explica por que “força de vontade” sozinha costuma falhar: o corpo realmente muda a fome e o gasto energético depois de emagrecer.



9) Obesidade por estágios e impacto na saúde (uma visão mais moderna)

Uma forma muito útil de classificar obesidade é pelo quanto ela já impacta a saúde, e não só pelo IMC.

Algumas pessoas têm IMC 30 e já têm apneia grave, hipertensão e diabetes. Outras têm IMC 35 e ainda estão sem grandes alterações laboratoriais. Então hoje faz sentido pensar em:

  • risco metabólico

  • comorbidades

  • limitações físicas

  • qualidade de vida

  • saúde mental

  • compulsão alimentar

  • dor crônica e inflamação articular

Em outras palavras: o “tipo” de obesidade também pode ser definido pelo impacto real na vida da pessoa.



Por que conhecer os tipos de obesidade muda tudo?

Porque emagrecimento não é só estética. O objetivo médico é reduzir risco e sofrimento, como:

  • baixar pressão e glicose

  • melhorar colesterol e fígado

  • controlar fome e compulsão

  • recuperar energia e disposição

  • melhorar sono e apneia

  • diminuir dor e inflamação

  • melhorar autoestima com saúde e verdade

E o melhor caminho depende do tipo predominante:

  • muita gordura visceral → foco forte em metabolismo e risco cardiometabólico

  • sarcopênica → foco em proteína e força

  • induzida por medicamentos → ajustes e estratégia

  • comportamental/emocional → terapia, sono e rotina

  • hormonal → investigar e tratar causa associada

  • grau 2/3 com comorbidades → considerar medicamentos e até cirurgia bariátrica, caso indicado



O que fazer se você desconfia que tem obesidade?

O primeiro passo é sair do ciclo de culpa e tentar fazer uma avaliação objetiva. Em uma consulta bem feita, é possível analisar:

  • IMC e circunferência abdominal

  • pressão arterial

  • exames metabólicos (glicose, HbA1c, lipídios)

  • fígado (TGO/TGP, ultrassom)

  • sono e apneia (questionários e exames)

  • composição corporal (quando possível)

  • comportamento alimentar e padrão de fome

  • histórico de tentativas e reganho de peso

A partir daí, o tratamento pode incluir:

  • mudanças realistas de alimentação (não “dieta de sofrimento”)

  • melhora do sono

  • exercício com estratégia (principalmente força)

  • manejo de estresse

  • terapia quando necessário

  • medicamentos quando bem indicados

  • e, em alguns casos, cirurgia bariátrica



Conclusão: obesidade tem “sobrenomes” — e isso é bom

Falar em “tipos de obesidade” não serve para complicar. Serve para respeitar a biologia e a individualidade. Quando você entende se a obesidade é mais visceral, mais sarcopênica, mais metabólica, mais hormonal ou influenciada por medicamentos, você para de entrar em planos genéricos que não funcionam.

E se tem uma mensagem que vale guardar é esta:

obesidade tem tratamento — e ele precisa ser compatível com a sua realidade, sua saúde e seu corpo.


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