Sibutramina: o que é, para quem realmente serve — e por que tanta gente se machuca no caminho
- Equipe Ênio Panetti

- 19 de jan.
- 4 min de leitura

Quem já tentou emagrecer sabe: não é só sobre comida.
É sobre frustração.
É sobre esforço que não aparece na balança.
É sobre fazer “tudo certo” e mesmo assim não ver resultado.
É sobre ouvir que é “falta de força de vontade” quando, na verdade, o corpo parece jogar contra.
Em algum momento dessa trajetória, muitas pessoas esbarram no nome sibutramina.
Às vezes por indicação médica.
Às vezes por sugestão de amigos.
Às vezes pela internet, em fóruns, grupos ou redes sociais.
E quase sempre a reação é ambígua:
“Será que funciona?”
“Será que faz mal?”
“Será que é perigoso?”
A sibutramina carrega fama, polêmica, medo e promessa — tudo ao mesmo tempo.
Por isso, antes de qualquer decisão, é fundamental entender o que ela realmente é, para quem pode ajudar e para quem pode ser perigosa.
O que é a sibutramina?
A sibutramina é um medicamento que atua no sistema nervoso central, mais especificamente nos neurotransmissores relacionados à saciedade.
Em termos simples:
ela ajuda o cérebro a sentir menos fome e mais saciedade, fazendo com que a pessoa coma menos.
Ela age aumentando a disponibilidade de substâncias como serotonina e noradrenalina, que participam do controle do apetite.
Importante deixar claro desde o início:
a sibutramina não queima gordura.
ela não acelera o metabolismo.
Ela atua reduzindo o apetite, e o emagrecimento acontece porque a pessoa passa a ingerir menos calorias.
Por que a sibutramina ficou tão popular?
Porque, em muitas pessoas, ela realmente funciona no curto prazo.
Menos pensamento em comida.
Menos ansiedade ao redor das refeições.
Mais controle.
Isso explica por que tantas pessoas procuram a sibutramina — e também por que tantas se decepcionam quando ela é usada sem critério.
O ponto que quase ninguém explica
A sibutramina não trata a causa do ganho de peso.
Ela pode ser uma ferramenta temporária, não uma solução definitiva.
Quando usada sozinha, sem mudança de hábitos e sem acompanhamento, o risco de recuperar o peso após a suspensão é alto.
Para quem a sibutramina pode ser indicada
A sibutramina não é para todo mundo — e isso é fundamental.
Ela pode ser considerada em pessoas que:
Têm obesidade ou sobrepeso associado a risco metabólico
Já tentaram mudanças de estilo de vida sem sucesso
Apresentam fome excessiva ou dificuldade importante de controle alimentar
Não têm contraindicações cardiovasculares
Estão sob acompanhamento médico regular
Mesmo nesses casos, ela não deve ser a primeira e nem a única estratégia.
Quando bem indicada, pode funcionar como uma ponte: ajuda a reduzir o apetite enquanto a pessoa constrói novos hábitos, melhora alimentação, sono e atividade física.
Para quem a sibutramina NÃO é indicada
Aqui está a parte mais importante — e mais negligenciada.
A sibutramina é contraindicada para pessoas com:
Doença cardiovascular conhecida
Histórico de infarto ou AVC
Arritmias cardíacas
Hipertensão não controlada
Ansiedade importante ou transtornos psiquiátricos ativos
Uso de antidepressivos específicos
Histórico de abuso de estimulantes
Gravidez ou amamentação
Por quê?
Porque a sibutramina estimula o sistema nervoso e pode elevar a frequência cardíaca e a pressão arterial.
Em pessoas suscetíveis, isso aumenta o risco cardiovascular.
É exatamente por isso que ela foi retirada do mercado em vários países — não por “exagero”, mas por uso indiscriminado em quem não deveria usar.
Os efeitos colaterais que merecem atenção
Nem todo mundo terá efeitos colaterais, mas eles existem e precisam ser monitorados.
Os mais comuns incluem:
Boca seca
Insônia
Aceleração dos batimentos
Ansiedade
Irritabilidade
Constipação
Em alguns casos, especialmente sem acompanhamento, podem surgir efeitos mais graves.
Por isso, sibutramina não é medicamento para uso por conta própria.
O maior erro: usar sibutramina como solução única
Esse é o ponto central.
Quando a sibutramina é usada como “atalho”, sem trabalhar o comportamento alimentar, o metabolismo e o estilo de vida, o resultado costuma ser previsível:
– emagrece rápido
– para o remédio
– o apetite volta
– o peso retorna
– a frustração aumenta
Isso não significa que o remédio “não presta”.
Significa que ele foi usado fora do contexto certo.
Sibutramina e coração: por que o cuidado precisa ser redobrado
Como médico que trabalha com risco cardiometabólico, é impossível ignorar esse aspecto.
A sibutramina pode aumentar discretamente a pressão e a frequência cardíaca.
Em pessoas com risco cardiovascular oculto, isso pode ser perigoso.
Por isso, avaliar o coração antes de prescrever não é excesso — é cuidado.
Exames, histórico clínico e acompanhamento fazem parte do tratamento responsável.
Existe espaço para a sibutramina hoje?
Sim — mas um espaço bem menor e mais criterioso do que no passado.
Hoje, ela pode ser considerada:
por tempo limitado
em pessoas bem selecionadas
com acompanhamento médico
integrada a um plano maior de cuidado
Ela não compete com mudança de estilo de vida.
Ela só faz sentido se caminhar junto com ela.
Uma mensagem honesta para quem está sofrendo com o peso
Se você chegou até aqui, provavelmente não está procurando milagre.
Está procurando ajuda real.
O excesso de peso não é falha moral.
Não é preguiça.
É um problema médico complexo, multifatorial, que merece cuidado sério.
A sibutramina pode ser parte do caminho para algumas pessoas.
Para outras, pode ser inadequada ou perigosa.
É o olhar médico que entende o todo, respeita seus riscos, sua história e seus objetivos.
Mensagem final
Sibutramina não é vilã nem salvadora.
É uma ferramenta.
E toda ferramenta, quando usada fora do contexto certo, pode ter consequências.
O emagrecimento sustentável começa quando o tratamento respeita o corpo — e não luta contra ele.
Se você sente que está preso num ciclo de tentativas frustradas, talvez o próximo passo não seja “mais um remédio”, mas uma avaliação mais profunda.
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