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A creatina engorda? Saiba sobre esse e outros mitos 

creatina engorda?

A creatina é, sem dúvida, um dos suplementos mais estudados e mais mal compreendidos da atualidade. Enquanto atletas profissionais a utilizam há décadas com respaldo científico sólido, as redes sociais criaram uma verdadeira confusão de informações contraditórias: alguns a tratam como substância milagrosa que resolve todos os problemas, outros a demonizam como perigosa para os rins, causadora de calvície e até gerando dúvidas se a creatina engorda.


A verdade, como sempre, está na ciência - e a ciência sobre creatina é uma das mais robustas que temos no campo da suplementação nutricional.


O que é creatina? Entendendo a molécula


A creatina é um composto orgânico natural formado por três aminoácidos: glicina, arginina e metionina. Não é uma proteína completa, não é um hormônio e definitivamente não é um esteroide anabolizante - apesar de muitas pessoas confundirem. Trata-se de uma molécula pequena que o próprio corpo humano produz naturalmente, principalmente no fígado, rins e pâncreas, em quantidades que variam entre 1 a 2 gramas por dia.

Além da produção endógena (dentro do corpo), também obtemos creatina através da alimentação, especialmente de carnes vermelhas e peixes. Um quilo de carne vermelha crua contém aproximadamente 4 a 5 gramas de creatina, embora parte dessa quantidade seja perdida durante o cozimento. Isso explica por que vegetarianos e veganos, que não consomem nenhuma fonte alimentar de creatina, apresentam concentrações musculares mais baixas dessa substância e podem se beneficiar ainda mais da suplementação.


Como a creatina funciona no corpo


Para entender como a creatina funciona, precisamos falar sobre energia celular. Todas as células do corpo humano utilizam uma molécula chamada ATP (adenosina trifosfato) como "moeda energética". Quando o ATP libera energia para qualquer atividade celular - seja uma contração muscular, um impulso nervoso no cérebro ou qualquer outro processo - ele perde um grupo fosfato e se transforma em ADP (adenosina difosfato), que é a forma "descarregada" da molécula.

Aqui entra a creatina: quando suplementada ou obtida pela dieta, ela é convertida em fosfocreatina (ou creatina fosfato) e armazenada principalmente nos músculos esqueléticos (cerca de 95% do total) e no cérebro (os 5% restantes). A fosfocreatina funciona como um "banco de energia de emergência" - ela doa rapidamente seu grupo fosfato para o ADP, transformando-o novamente em ATP e permitindo que a célula continue funcionando em alta intensidade.

Este sistema é especialmente importante durante atividades de alta intensidade e curta duração, como levantamento de peso, sprints, saltos e qualquer esforço explosivo que dure entre 1 e 30 segundos. É por isso que a creatina se tornou tão popular entre atletas de força e potência: ela literalmente aumenta a capacidade do músculo de regenerar ATP rapidamente, permitindo mais repetições, mais força e melhor recuperação entre as séries.


Os benefícios comprovados da creatina: o que a ciência realmente mostra


A creatina é o suplemento nutricional mais estudado do mundo no contexto de performance física, com mais de 500 publicações científicas revisadas por pares e mais de três décadas de pesquisa acumulada. Uma revisão publicada em 2026 no Journal of the International Society of Sports Nutrition analisou toda essa evidência e confirmou que a suplementação de creatina produz melhorias consistentes em exercícios de alta intensidade, adaptações ao treinamento, massa corporal magra, força e potência.


Benefícios para o desempenho físico


Estudos mostram que a creatina aumenta as concentrações intramusculares de creatina em 10-40%, dependendo dos níveis iniciais da pessoa. Esse aumento se traduz em melhorias mensuráveis: aumento de 5-15% na força máxima, 5-15% na potência, e 5-15% no trabalho total realizado durante séries repetidas de exercício de alta intensidade. Para quem treina regularmente, isso significa conseguir fazer mais repetições, levantar mais peso ou correr sprints mais rápidos.

Mas os benefícios vão além do desempenho imediato. A creatina também melhora a recuperação pós-exercício, reduz danos musculares induzidos pelo exercício, diminui marcadores de inflamação e ajuda na termorregulação (controle da temperatura corporal) durante exercícios em ambientes quentes. Um estudo específico com jogadores de futebol demonstrou melhorias na capacidade de sprints repetidos e maior tolerância a cargas elevadas de treinamento.

Interessantemente, pesquisas emergentes mostram que a creatina também pode beneficiar atletas de endurance (resistência), contrariando a antiga crença de que seria útil apenas para atividades de força. Os mecanismos incluem melhora na ressíntese de glicogênio muscular, melhor manejo de cálcio celular, redução do estresse oxidativo e melhora no desempenho de sprints repetidos - algo crucial em esportes como ciclismo, corrida de média distância e esportes coletivos.


Benefícios da creatina para o cérebro e cognição


Um dos campos mais empolgantes da pesquisa sobre creatina é seu efeito no cérebro. Assim como os músculos, o cérebro também armazena creatina e depende do sistema ATP-fosfocreatina para manter suas funções energéticas. Estudos mostram que a suplementação de creatina aumenta os estoques cerebrais de creatina, o que pode melhorar a performance cognitiva, especialmente em situações de estresse metabólico.

Um estudo randomizado, controlado por placebo e duplo-cego publicado em 2023 no BMC Medicine - o maior estudo sobre creatina e cognição até aquele momento, com 123 participantes - encontrou evidências de um pequeno efeito benéfico da creatina na performance cognitiva, particularmente em testes de memória de trabalho. Embora o efeito seja modesto, os pesquisadores destacaram que "um pequeno efeito poderia ter grandes benefícios quando escalado ao longo do tempo e em muitas pessoas".

Evidências convincentes também existem para o uso de creatina em situações de déficit energético cerebral: fadiga mental, privação de sono, hipóxia ambiental (como em escaladas em alta altitude) e envelhecimento avançado. Uma revisão de 2023 publicada no Sports Medicine destacou o potencial da creatina para melhorar medidas de cognição e memória, especialmente em adultos mais velhos ou durante períodos de estresse metabólico.


É fundamental deixar claro: não existe atualmente nenhuma recomendação clínica respaldada para o uso de creatina no tratamento de disfunção cognitiva, demência ou comprometimento cognitivo leve.


A Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) avaliou formalmente essa questão em 2024 e concluiu de forma categórica que "uma relação de causa e efeito não foi estabelecida entre a suplementação de creatina e melhora na função cognitiva". Essa conclusão se baseou na análise de que os efeitos agudos observados em alguns estudos com doses altas (20 g/dia) não se reproduziram com doses menores ou uso contínuo, e que estudos conduzidos em indivíduos com doenças não demonstraram benefícios cognitivos. O que existe são plausibilidades biológicas interessantes - a creatina aumenta os estoques cerebrais de creatina e melhora a bioenergética cerebral, o que teoricamente poderia beneficiar a cognição. Algumas meta-análises mostram pequenos efeitos em memória, especialmente em idosos saudáveis (66-76 anos), e uma revisão sistemática de 2025 sugere associação positiva entre creatina e cognição em idosos saudáveis, mas enfatiza que "ensaios clínicos de alta qualidade são necessários" e que "pesquisas futuras devem investigar a suplementação de creatina em populações clínicas idosas com déficits cognitivos notáveis". Portanto, embora o mecanismo teórico seja plausível e os dados preliminares sejam promissores, a creatina não deve ser recomendada como tratamento para disfunção cognitiva estabelecida - trata-se de uma área de pesquisa emergente, não de prática clínica baseada em evidências


Aplicações clínicas e terapêuticas


Além dos benefícios para atletas e pessoas saudáveis, a creatina tem demonstrado aplicações clínicas importantes. A Sociedade Internacional de Nutrição Esportiva documentou estudos envolvendo doenças neurodegenerativas (como distrofia muscular, Parkinson e doença de Huntington), diabetes, osteoartrite, fibromialgia, isquemia cerebral e cardíaca, depressão em adolescentes e até mesmo na gravidez.

Uma meta-análise Cochrane - o padrão-ouro em revisões sistemáticas - demonstrou que a creatina melhora a força muscular e o bem-estar geral em pacientes com distrofias musculares. Evidências significativas também existem para sua eficácia na prevenção secundária de miopatia por estatinas (fraqueza muscular causada por medicamentos para colesterol) e no tratamento de depressão resistente em mulheres.

Populações especiais também se beneficiam: idosos com sarcopenia (perda de massa muscular relacionada à idade) e atrofia muscular apresentam melhoras com a suplementação. Estudos preliminares sugerem até efeitos neuroprotetores em casos de concussão cerebral e lesões medulares.


Vegetarianos e veganos: um grupo especial


Vegetarianos e veganos merecem atenção especial quando falamos de creatina. Como não consomem nenhuma fonte alimentar de creatina, essas pessoas precisam sintetizar toda a creatina que necessitam, gastando grande parte de sua capacidade de metilação (um processo bioquímico que usa grupos metil de outras moléculas). Apesar disso, vegetarianos e veganos apresentam concentrações musculares mais baixas de creatina comparados a onívoros.

A boa notícia é que a suplementação de creatina se mostrou eficaz em aumentar tanto a performance muscular quanto neuropsicológica em vegetarianos e veganos. Uma revisão de 2019 publicada no Medicinal Research Reviews concluiu que a creatina "deveria ser recomendada especialmente para vegetarianos e veganos que são atletas, trabalhadores de esforço pesado ou que realizam esforço mental intenso".


Tipos de creatina: monohidratada é realmente a melhor?


O mercado de suplementos oferece dezenas de "formas" diferentes de creatina: creatina monohidratada, creatina micronizada, creatina etil éster, creatina HCl (cloridrato), creatina tamponada (Kre-Alkalyn), creatina líquida, creatina magnésio quelato, entre outras. Cada fabricante promete que sua versão é "superior" em absorção, eficácia ou ausência de efeitos colaterais.

A verdade científica é clara: a creatina monohidratada é a forma mais estudada, mais eficaz e mais econômica disponível. Estudos que compararam diferentes formas de creatina consistentemente mostram que as alternativas não são superiores - e muitas vezes são inferiores - à monohidratada clássica. A Sociedade Internacional de Nutrição Esportiva é categórica: "a creatina monohidratada é a forma mais eficaz de suplemento de creatina atualmente disponível".

A creatina micronizada é simplesmente creatina monohidratada processada em partículas menores, o que pode melhorar a solubilidade em água, mas não altera a eficácia. Já formas como creatina etil éster e creatina líquida são instáveis e se degradam rapidamente em creatinina (um produto de degradação inativo) quando em solução, tornando-as menos eficazes.


Como tomar Creatina: protocolos de suplementação


Existem dois protocolos principais de suplementação de creatina, ambos validados cientificamente:


  • Protocolo com fase de saturação (loading): Consiste em tomar 20-25 gramas de creatina por dia (divididas em 4-5 doses de 5 gramas) durante 5-7 dias, seguido por uma dose de manutenção de 3-5 gramas por dia. Este protocolo satura rapidamente os estoques musculares de creatina, produzindo benefícios em aproximadamente uma semana.


  • Protocolo sem fase de saturação: Consiste em tomar 3-5 gramas (ou 0,1 g/kg de peso corporal) por dia desde o início, sem fase de carga. Este protocolo também satura os estoques musculares, mas leva cerca de 3-4 semanas para atingir os mesmos níveis do protocolo com saturação.


Ambos os protocolos são igualmente eficazes a longo prazo - a diferença está apenas na velocidade com que os benefícios aparecem. A fase de saturação não é obrigatória, e muitas pessoas preferem o protocolo sem carga para evitar o ganho rápido de peso (água) e possíveis desconfortos gastrointestinais associados a doses altas.


A creatina pode ser tomada a qualquer hora do dia - não há evidências convincentes de que tomar antes ou depois do treino faça diferença significativa. O mais importante é a consistência diária, já que o efeito da creatina depende da saturação dos estoques musculares ao longo do tempo, não de um efeito agudo.


Quanto à "ciclagem" (períodos alternados de uso e pausa), não há necessidade. Estudos mostram que a suplementação contínua de creatina é segura e eficaz a longo prazo, e interromper o uso apenas faz com que os níveis musculares retornem gradualmente ao baseline em 4-6 semanas.


Segurança da creatina: desmistificando os medos


Apesar de ser um dos suplementos mais seguros e bem estudados disponíveis, a creatina ainda carrega estigmas infundados. Vamos abordar as preocupações mais comuns:

Creatina prejudica os rins? Não. Esta é provavelmente a maior preocupação das pessoas, mas também a mais desmentida pela ciência. Centenas de estudos clínicos, incluindo análises agrupadas de múltiplos ensaios, não mostram maior incidência de disfunção renal em pessoas saudáveis que suplementam creatina, mesmo em doses de até 30 gramas por dia por até 5 anos.

O que confunde muitas pessoas (e até alguns médicos) é que a creatina aumenta os níveis de creatinina no sangue - mas isso é esperado e não indica dano renal. A creatinina é um produto de degradação natural da creatina, e níveis mais altos simplesmente refletem maior turnover de creatina, não doença renal. Pessoas que suplementam creatina devem informar seus médicos para que os exames sejam interpretados corretamente.


Creatina causa desidratação e Cãibras? Não. Estudos controlados não encontraram evidências de que a creatina cause desidratação ou aumente o risco de cãibras musculares. Na verdade, pesquisas sugerem o oposto: a creatina pode melhorar o estado de hidratação celular e a termorregulação durante exercícios em ambientes quentes.


Creatina causa queda de cabelo? Não há evidências científicas sólidas de que a creatina cause calvície. Este mito surgiu de um único estudo pequeno com jogadores de rugby que mostrou aumento nos níveis de di-hidrotestosterona (DHT), um hormônio relacionado à calvície androgenética. Porém, os níveis permaneceram dentro da faixa normal, e nenhum estudo subsequente replicou esse achado ou demonstrou perda capilar real associada à creatina.


Creatina é um esteroide anabolizante? Definitivamente não. A creatina é um composto natural produzido pelo próprio corpo e encontrado em alimentos. Não tem relação química ou funcional com hormônios esteroides. Não altera níveis de testosterona, não tem efeitos androgênicos e não está na lista de substâncias proibidas de nenhuma organização esportiva importante.


Creatina engorda mesmo? Não. A creatina não contém calorias e não promove ganho de gordura. O ganho de peso observado com a suplementação de creatina (tipicamente 1-2 kg nas primeiras semanas) é devido ao aumento de água intramuscular e, a longo prazo, ao ganho de massa muscular magra. Estudos mostram que a creatina aumenta a massa magra, não a massa gorda.


Creatina é segura para adolescentes? Sim, quando usada adequadamente. Embora mais pesquisas sejam necessárias, os estudos disponíveis não mostram efeitos adversos em adolescentes que suplementam creatina nas doses recomendadas. Algumas organizações médicas, incluindo a Sociedade Internacional de Nutrição Esportiva, consideram a creatina segura para adolescentes atletas, desde que usada conforme as diretrizes.


Creatina é segura para mulheres? Absolutamente. A creatina funciona da mesma forma em homens e mulheres, e os benefícios são similares. Não há razão biológica para que mulheres evitem creatina - trata-se de um mito baseado em desinformação.


Efeitos colaterais reais: para além do medo de que a creatina engorda


Os efeitos colaterais mais comuns da creatina são leves e relacionados ao trato gastrointestinal: ganho de peso (água), náusea e diarreia, especialmente quando doses altas são tomadas de uma vez. Um estudo de 2023 reportou que efeitos colaterais foram significativamente mais frequentes com creatina do que com placebo, mas eram predominantemente leves e transitórios.

Para minimizar desconfortos gastrointestinais, recomenda-se: dividir a dose diária em porções menores, tomar com alimentos, garantir hidratação adequada e evitar doses excessivamente altas.


Quem responde melhor à creatina?

Nem todas as pessoas respondem igualmente à suplementação de creatina. Aproximadamente 20-30% dos indivíduos são considerados "não-respondedores" - pessoas cujos níveis musculares de creatina não aumentam significativamente com a suplementação. Isso geralmente ocorre em pessoas que já têm níveis musculares naturalmente elevados de creatina.

Os melhores respondedores tendem a ser: vegetarianos e veganos (que têm níveis basais mais baixos), pessoas com maior proporção de fibras musculares tipo II (fibras de contração rápida), indivíduos com maior massa muscular, e aqueles que realizam treinamento de alta intensidade regularmente.


Creatina e cafeína: podem ser combinadas?

Estudos antigos sugeriram que a cafeína poderia bloquear os efeitos da creatina, mas pesquisas mais recentes mostram que essa interação é mínima ou inexistente na maioria das pessoas. A combinação de creatina e cafeína é segura e pode até ser sinérgica para certos tipos de performance.


Mitos das redes sociais sobre creatina

As redes sociais criaram uma série de mitos sobre a creatina que precisam ser desmentidos:


"Creatina só funciona se você treinar pesado" - Embora os benefícios sejam mais pronunciados em quem treina, estudos mostram que a creatina também beneficia idosos sedentários, pacientes com doenças neuromusculares e pessoas em situações de estresse metabólico cerebral.


"Creatina precisa ser ciclada" - Não há evidências de que ciclar a creatina (períodos de uso e pausa) traga benefícios adicionais. A suplementação contínua é segura e eficaz.


"Creatina líquida é melhor absorvida" - Falso. A creatina é instável em solução líquida e se degrada em creatinina inativa. A forma em pó (monohidratada) é superior.


"Creatina causa acne" - Não há evidências científicas de que a creatina cause ou piore acne.


"Creatina só funciona para homens" - Completamente falso. Mulheres se beneficiam igualmente da suplementação de creatina.


"Você precisa tomar creatina com suco de uva ou dextrose" - Embora a insulina possa aumentar ligeiramente a captação muscular de creatina, a diferença prática é mínima. Tomar creatina com água é perfeitamente eficaz.


Creatina para além do músculo: o futuro da pesquisa


As aplicações da creatina vão muito além da performance atlética. Pesquisas emergentes investigam seu papel em: neuroproteção após traumatismo craniano e concussões (especialmente relevante para atletas de esportes de contato), depressão e ansiedade (particularmente em mulheres), envelhecimento saudável e prevenção de sarcopenia, função cognitiva em idosos, recuperação de AVC e isquemia cerebral, e até mesmo saúde cardiovascular.

Uma revisão de 2023 focada especificamente no cérebro destacou que a creatina "mostrou promessa para melhorar medidas de saúde associadas a distrofia muscular, traumatismo craniano (incluindo concussões em crianças), depressão e ansiedade". Embora mais pesquisas sejam necessárias, o potencial terapêutico da creatina além do esporte é imenso.


Recomendações práticas baseadas em evidências

Para a maioria das pessoas saudáveis que desejam suplementar creatina, as recomendações são:

  • Use creatina monohidratada (a forma mais estudada e eficaz)

  • Dose: 3-5 gramas por dia (ou 0,1 g/kg de peso corporal)

  • Fase de saturação é opcional: 20-25 g/dia por 5-7 dias acelera os resultados, mas não é necessária

  • Tome diariamente, de forma consistente, a qualquer hora do dia

  • Não há necessidade de ciclar (fazer pausas)

  • Mantenha boa hidratação

  • Informe seu médico se fizer exames de função renal (para interpretação correta da creatinina)

  • Evite se tiver doença renal preexistente (consulte um nefrologista)


Conclusão: creatina é ciência, não modismo


A creatina é, sem exagero, o suplemento nutricional com maior respaldo científico disponível no mercado. Com mais de 30 anos de pesquisa, centenas de estudos clínicos e análises agrupadas de múltiplos ensaios randomizados, a evidência é clara: a creatina é segura, eficaz e versátil.

Diferentemente de muitos suplementos que prometem muito e entregam pouco, a creatina tem efeitos modestos mas consistentes e mensuráveis: melhora de 5-15% em força, potência e trabalho total em exercícios de alta intensidade, aumento de massa muscular magra, melhor recuperação, e potenciais benefícios cognitivos e terapêuticos.

A suplementação de creatina não é obrigatória - o corpo produz creatina naturalmente e a obtém de alimentos de origem animal. Mas para atletas, praticantes de exercícios de alta intensidade, vegetarianos, veganos, idosos e certas populações clínicas, a suplementação pode oferecer benefícios reais e mensuráveis.

O mais importante é separar a ciência do marketing. Ignore as promessas exageradas, os mitos infundados e as "versões revolucionárias" de creatina. Fique com a creatina monohidratada clássica, use nas doses recomendadas, seja consistente, e deixe a ciência - não as redes sociais - guiar suas decisões.

Como destacou uma revisão de 2026: "análises agrupadas de centenas de ensaios clínicos não reportam maior incidência de eventos adversos comparado ao placebo, reforçando o perfil de segurança estabelecido da creatina". Poucos suplementos podem fazer essa afirmação com tanta confiança.


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Escrito por: Ênio Panetti Usiglio CRM 52 56781-1, médico especialista em cardiologia pela sociedade brasileira de cardiologia (RQE 24185), membro da sociedade brasileira de hipertensão arterial.




 
 
 

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